Rogério Duprat, em documentário

Marco da história musical brasileira, o regente e compositor Rogério Duprat é homenageado pela TV Cultura hoje, às 22h30, com a exibição de ´Rogério Duprat - Oirégor Tarpud´. O documentário foi realizado pela emissora, sob a direção de Pedro Vieira, em parceria com a Grifa Cinematográfica, e tenta remontar a trajetória de Duprat dentro do cenário da vanguarda artística. Para recuperar todos os momentos da carreira do músico, a emissora pública reuniu depoimentos de pessoas com quem trabalhou em diferentes momentos. Começando por Júlio Medaglia, Damiano Cozzella, Gilberto Mendes e Willy Correia de Oliveira, seus companheiros no movimento Música Nova, formado em 1961, influenciado pela música concreta da Darmstadt de Pierre Boulez e Karlheinz Stockhausen. Ocupam bastante espaço na produção os tropicalistas, de quem se tornou arranjador por anos - ´Domingo no Parque´, ´Panis et Circenses´, e ´É Proibido Proibir´ foram algumas das faixas do Tropicalismo que receberam seus arranjos. "Rogério tem aquilo de soar grande", define Caetano Veloso, durante a produção. "E tinha todas as distâncias críticas que a gente precisava na época." Os depoimentos vão se complementando, mostrando o papel fundamental de Duprat no movimento musical antitradicionalista que surgia na década de 60. Segundo Rita Lee, "da Camelot do Tropicalismo, ele era o Merlin." Sua passagem pelo cinema é outro ponto abordado. Falam sobre as trilhas sonoras que compôs para os cineastas Walter Hugo Khouri, com quem trabalhou em seu filme ´A Ilha´, e Walter Lima Jr., que o chamou para a direção musical de ´Brasil Ano 2000´. O documentário não esquece de sues trabalhos mais comerciais, e suas contribuições para o universo da propaganda nos anos 70, graças aos seus jingles, como os da Shell (com participação dos Mutantes) e da Pepsi-Cola. Todos esses momentos são pontuados por imagens de arquivo de comerciais, discos, festivais e shows da época (o 3º Festival de Música Popular Brasileira e o Build Up Electronic Fashion Show são alguns). E ainda sobra espaço para longos desabafos e análises do poeta concretista e amigo Décio Pignatari, além do próprio Duprat.

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