Alex Silva/ AE
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Rodrigo Rosner estreia na São Paulo Fashion Week

Após 3 anos desfilando pela Casa de Criadores, estilista debuta no evento de moda que começa amanhã

Marcela Rodrigues Silva - Jornal da Tarde,

18 de janeiro de 2012 | 09h42

O estilista Rodrigo Rosner nasceu quando o extinto Ateliê Parisiense, empresa fundada por seus avós húngaros nos anos 70, estava no auge. E foi lá, entre manequins e moldes prêt-à-porter, que o menino que queria ser arquiteto passava férias e, cada vez mais, tomava gosto pela moda. Maduro, cursou Administração de Empresas para trabalhar no negócio da família. O gênio forte traçou outro caminho. “Eu tinha 17 anos e trabalhava na parte burocrática. Eu era mimado e, como leonino, dava pitaco em tudo. As duas estilistas da época pediram demissão por minha causa”, conta ele, que, a pedido do pai, precisou escolher entre deixar o jeito turrão para trás ou encarar uma coleção sozinho. Rosner escolheu a segunda opção e, hoje, aos 33 anos, está prestes a debutar com sua R. Rosner no line up da 32ª São Paulo Fashion Week.

 

Rosner é a única novidade da temporada outono-inverno 2012 da semana de moda, que começa amanhã e segue até o dia 24, com 29 desfiles, na Bienal. Mas, de estreante, ele não tem nada. Foram 11 anos criando coleções na empresa da família, 1 ano e meio como estilista de uma confecção do Bom Retiro e os últimos três anos desfilando pela Casa de Criadores, evento que reúne novos talentos.

 

O convite para desfilar nesta edição da SPFW veio em dezembro de 2011, pouco depois de ter se desligado da Casa de Criadores. “A entrada da SPFW não teve relação com a saída. Eu quis sair porque já estava consolidado, tinha visibilidade e queria investir no meu ateliê. Estava até planejando um desfile solo, talvez no MAM. Mas aí veio o convite da Luminosidade (empresa que organiza o evento) e não tive como falar não”, diz ele, que cria sua moda festa exuberante, conhecida pela riqueza de detalhes, em um ateliê de 100 m2 na Rua Minas Gerais, em Higienópolis.

 

Agora, mesmo com os holofotes sobre suas peças por causa da estreia na maior semana de moda da América Latina, Rosner reconhece a importância de cada fase na carreira. “Os anos no ateliê da minha família foram uma escola. Só fechei porque meu pai morreu, em 1995, e eu precisei cuidar da parte administrativa e deixei de fazer o que gostava. O trabalho no Bom Retiro também foi incrível, mas sentia que precisava criar uma marca com a minha cara”, conta ele, que, há 4 anos, criou a R. Rosner, hoje consolidada entre os descolados que não abrem mão de roupa de festa sob medida. A escritora Fernanda Young é uma das mulheres “ousadas e contemporâneas” que já vestiram suas peças.

 

Na próxima sexta, dia 20, às 15h30, a R. Rosner desfilará 25 looks, sob o styling da dupla Flávia Pommianosky e Davi Ramos, e beleza de Robert Estevão. De diferente, ele garante, apenas o nome e a repercussão do evento. “Meu foco são vestidos de festa e não há sentido em mudar isso ou as características do meu trabalho. Afinal o convite surgiu por gostarem do meu trabalho como ele é. E é roupa de festa que amo fazer.”

 

A inspiração para a coleção partiu de um livro de ilustrações de mariposas que ele ganhou, anos atrás, de uma amiga. “A estética da mariposa sempre me atraiu. É menos óbvia que a borboleta. Tem um ar dark side. Vi nesse inseto textura e formas incríveis”, justifica.

 

Na prática, a inspiração vai se traduzir em vestidos com tecidos como chamalote, renda, aplicações em cristais. “Usei materiais com os quais eu sempre trabalho, mas de outra maneira. Por exemplo, a renda, que utilizo sempre, virou um fundo para os vestidos, uma espécie de textura. Estou feliz com o resultado final”, adianta.

 

Ponto de encontro

 

Após a SPFW, Rosner estará em seu ateliê intimista esperando suas clientes para um bate-papo informal, como gosta de fazer antes de criar suas peças exclusivas. É lá também que ele trabalha em sua coleção de T-shirts de festa, comercializada pela Way Models, na loja Choix, no Itaim. Os tops são feitos com malha especial, em parceria com a Tecelagem Santa Constância, e recebem aplicações de bordados, rendas e paetês. “Tudo começou porque muitas clientes não tinham roupa para o momento antes da festa. Queriam algo confortável, mas sofisticado”, explica. É um pouco desse espírito glamouroso e inovador que Rosner levará à passarela. 

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