Rodrigo Matheus abre festival com "Fantasmas"

O ator Rodrigo Matheus, fundador da Companhia Circo Mínimo, e o teatro curitibano Ópera de Arame parecem ter sido criados um para o outro. Com sua arquitetura vazada - construído em vidro e metal com capacidade para 1.676 espectadores -, o teatro dá ao público a sensação de estar suspenso sobre a água, pairando ao lado de uma imensa pedreira. Ator da geração formada artisticamente no chamado novo circo, Matheus conta suas histórias sempre suspenso no ar, seja num trapézio, numa corda ou até num barco alado, como no caso de seu mais recente espetáculo Moby Dick.Portanto, não chega a ser uma surpresa que os organizadores do 10.º Festival de Teatro de Curitiba o tenham convidado para criar um espetáculo especialmente para a noite de abertura, que tradicionalmente ocorre no Ópera de Arame. Assim, no dia 22 de março, Matheus e uma trupe de 20 atores/acrobatas prometem assombrar os quase 2 mil espectadores do Ópera com a apresentação de Fantasmas.Em seguida, ele começa os ensaios de Gravidade Zero, texto especialmente escrito para ele pelo dramaturgo Mário Bortolotto. Com direção de Elias Andreatto, o monólogo estréia no dia 25 de maio no Cultura Inglesa Festival e deve participar de alguns festivais internacionais. A produção de Fantasmas é da Central do Circo. Trata-se de uma associação fundada há dois anos pelas companhias Circo Mínimo, dirigida por Matheus, La Mínima e Linhas Aéreas, que têm em comum a utilização de técnicas circenses em seus espetáculos. Atualmente, 19 companhias integram a Central do Circo, cuja sede está localizada no bairro paulistano de Granja Viana."O convite foi feito para a Circo Mínimo, mas a companhia sozinha não teria 20 atores capazes de ocupar aquele espaço", explica Matheus. Ele ressalta ainda que não havia tempo para criar e treinar números com a qualidade exigida na abertura de evento dessa envergadura. "Criei um roteiro no qual pudesse inserir - com algumas transformações - números criados nos Cabarés da Central." Os cabarés são espetáculos de esquetes que vêm sendo apresentados com sucesso na sede da Central do Circo e, em maio, devem também integrar a programação do Cultura Inglesa Festival."Por enquanto, tenho um roteiro básico, que pode transformar-se ao longo dos ensaios", diz Rodrigo. Os personagens da peça são fantasmas que circulam pelo teatro. Há desde criaturas etéreas, como espíritos de artistas já mortos, passando por seres míticos, como moiras tecendo o destino dos homens até gente muito viva, espectadores que assombram as trupes e só ganham forma quando o teatro se abre.Matheus planeja estender uma corda sobre a cabeça dos espectadores e transformá-la num movimentado caminho e espalhar atores com pernas de pau e tochas em torno de todo o espaço. Além de costurar cenas já criadas pela Central - com a de uma dupla de padres que briga num número de trapézio -, ele espera contar com um coro de crianças e uma orquestra."A idéia seria integrar a cidade no espetáculo. Essas crianças, de Curitiba, ficariam olhando as cenas com as carinhas do lado de fora do vidro e, num dado momento, o teatro se abriria para elas entrarem. Meu único temor - daí minha dúvida se realizo ou não essa cena - é a de que ela fique piegas." Mas o ator tem algumas definições. Fantasmas terá números cômicos e será um espetáculo sem palavras. "Som só da trilha sonora, onomatopéias e ruídos."

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2001 | 17h37

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