Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Rodrigo Campos faz de seu 2º disco obra memorável para abrir 2012

'Bahia Fantástica' tem previsão de lançamento para o primeiro trimestre do próximo ano

RAMIRO ZWETSCH , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2011 | 03h09

Tão longe, tão perto: a movimentação geográfica motiva e define a música do compositor e cantor paulista Rodrigo Campos. Seu segundo disco, Bahia Fantástica (previsto para o primeiro trimestre de 2012), surgiu de uma inspiração improvável - um lugar distante, praticamente desconhecido do músico, uma ficção de cartão postal. É a história inversa de São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe, de 2009. As canções narram experiências vividas de fato durante a infância e juventude no bairro periférico de São Paulo: a morte de amigos, a sinuca da quarta-feira, etc. Mesmo assim, o distanciamento foi importante - só depois que se mudou para Pinheiros é que as composições começaram a brotar. "Eu já tinha saído de São Mateus, mas a sensação ainda era muito viva porque eu compus essas músicas no primeiro momento que eu saí de lá. Comecei um processo de lidar com aquela saudade, com aquela distância. Eu estava tirando São Mateus de dentro de mim", elucida Rodrigo.

Estranho no ninho, sem família nem namorada e tampouco amigos mais próximos, o período que sucedeu o lançamento do primeiro disco foi de uma certa depressão criativa. "Eu percebi que ainda saía coisas sobre São Mateus, mas de um jeito mais subjetivo. Eu não queria mais falar da periferia de um jeito tão cronológico", lembra. "Só que eu não sabia que isso era um disco ainda, eu só estava compondo e tal. E aí eu fui pra Bahia."

A viagem foi rápida, uma semana e meia. Foi o suficiente para interferir profundamente no processo criativo de Rodrigo. "Sempre tive preconceito com isso. Minha atitude como músico sempre foi aproximar aquele som que eu gosto do meu cotidiano. Às vezes eu via esse movimento de sambistas que moravam em São Mateus falando da Lapa, de não sei da onde... 'Porra, os caras moram aqui e ficam falando da Lapa'. E de repente me vi falando da Bahia."




Rodrigo Campos aponta no front dos novos compositores da música brasileira como uma das apostas mais certeiras. Seu novo disco consegue superar o primeiro com um horizonte mais amplo. Seus arranjos são matadores. Ao fazer música, conta histórias com temáticas cinematográficas. É um cronista cheio de groove.

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