Rodin volta à Pinacoteca de SP. E agora de graça

A exposição de Auguste Rodin, que será inaugurada na Pinacoteca do Estado no domingo, chega com uma boa notícia para os paulistanos: vai ter entrada franca. A mostra, que fica em cartaz até 9 de dezembro, exibe pela primeira vez na América Latina um dos maiores trabalhos do escultor: A Porta do Inferno, obra que dá nome à exposição. Os ingressos inicialmente iriam custar entre R$ 2 e R$ 5, mas a Secretaria da Cultura optou por não cobrar a visitação.De A Porta do Inferno saíram algumas das obras mais importantes de Rodin, como O Beijo, O Pensador, Adão, Eva e Ugolino. "Muitos apontam A Porta como a obra mais importante de Rodin, matriz de de toda a sua trajetória artística", diz Ana Helena Le Fèvre, coordenadora da exposição.É a primeira vez que o monumento de gesso sai do Museu Rodin de Paris. Esculpida em auto-relevo, com 3,2 toneladas, 6,30 m de altura por 3,80 m de largura e 1,20 m de profundidade, a versão exibida na Pinacoteca é um dos dois modelos de referência no mundo.Auguste Rodin (1840/1917) levou 20 anos para fazer A Porta do Inferno e mesmo assim morreu sem concluí-la. O modelo de referência exibido na Pinacoteca foi finalizado em 1917, após o falecimento do artista. "Devido à fragilidade, é a primeira e a última vez que a obra sai de Paris", comunica Jacques Vilain, diretor do Museu Rodin, a "casa" do monumento exposto na cidade.O outro modelo de referência fica em permanete exposição no Museu D´Orsay, também em Paris. Além das versões em gesso, há outras oito edições (réplicas) em bronze, espalhadas em acervos nos Estados Unidos, Japão, Coréia e França.Rodin começou a esculpir A Porta em 1880 por causa de uma encomenda para compor o Museu de Arte Decorativa em Paris. Mas o projeto nunca se concretizou. Com exceção desta obra de Rodin, as demais peças foram parar no Louvre. Desenhos - "No final do processo e de milhares de obras que saíram da grandiosa escultura em gesso, Rodin chegou à conclusão de que A Porta do Inferno não teria figuras", explica Antoinette Le Normand-Romain, conservadora-chefe das esculturas no Museu Rodin de Paris.Ele fez então outra versão da obra, a sua preferida, que está exposta no Museu Rodin em Meudon, sua terra natal, na França. Com A Porta do Inferno, serão expostas outras 45 esculturas em bronze, mármore, gesso e barro cozido. A mostra se completa com 25 desenhos com estudos preparatórios e dez fotografias.No total, serão vistos 16 trabalhos inéditos no Brasil - os outros já estiveram na Pinacoteca na mostra realizada em 95. Dez esculturas fazem parte do acervo permanente da casa. "Depois de reunir cerca de 200 mil pessoas em sua passagem pela Pinacoteca, em 1995, a arte de Rodin tinha de voltar. Esta é a maior e mais completa exposição que a casa já promoveu em toda a história", diz Emanuel Araújo, diretor da Pinacoteca.Rodin-A Porta do Inferno, de 07/10 a 09/12 na Pinacoteca do Estado (Pça da Luz, 2 - Tel 2299844). De terça a domingo, das 10 às 18 h. Entrada franca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.