Rock, samba e jazz à mineira

A primeira noite da chamada Apoteose do Conexão Vivo, em Belo Horizonte, reuniu mais de 5 mil pessoas, anteontem no Parque Municipal. A maior parte delas esperou até o início da madrugada para ver a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, com sua sacolejante mistura de rock e ska. Mas as atrações locais não ficaram atrás em termos de potência rítmica e presença cênica.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

O grupo de samba Capim Seco abriu a programação recebendo o pernambucano Siba. Foi o primeiro dos bons encontros da noite. Com sua rabeca, suas letras espirituosas, ginga e desenvoltura, Siba esquentou o bom show do grupo mineiro, acrescentando molho de ritmos nordestinos. Outro pernambucano, Fred 04, trouxe seu cavaquinho de rock-samba para a salada rítmica de Deco Lima e o Combinado, que além do samba e de uma certa pegada punk tem algo de soul music.

Também tangendo o punk, Porcas Borboletas, de Uberlândia, fez um dos shows mais vigorosos, culminando com a participação do titã Paulo Miklos, que cantou Bichos Escrotos, Diversão e outras. A fusão se deu com naturalidade, já que a banda paulistana é uma das influências dos Borboletas.

A irreverência e as maluquices sonoras características da banda permanecem, mas uma ou outra atitude juvenil em cena não ofuscam o fato de que eles de fato cresceram musicalmente, com seu mix de rock, punk, experimentalismo. No show de anteontem privilegiaram as canções do segundo álbum, A Passeio (2009), e tocaram a inédita Fim do Mundo, mais uma demonstração de que estão no caminho certo.

O veterano Marku Ribas, já sessentão, não ficou em nada a dever às jovens atrações da noite. Performático, em plena forma, com o vozeirão e o bom humor peculiares, acompanhado de um ótimo quinteto (piano, bateria, trompete e sax, além do baixista Zérró Santos em especial destaque), ele deu ênfase ao álbum mais recente, 4 Loas, e encerrou a apresentação com o clássico Zamba Ben. Um dos ícones do samba-rock, Marku vai muito além, com elaboradas incursões pelo jazz e ritmos afro-latinos e brasileiros.

O Conexão Vivo vai até domingo, com shows no parque e em outros pontos da cidade. Foi aqui que o projeto começou e já se expandiu pelo País como um dos mais bem organizados e concorridos festivais de "música que não está na indústria".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.