Rock and Roll em quadrinhos

Rock and Roll em quadrinhos

Cartunista francês Hervé Bourhis faz releitura do gênero que revolucionou a música em O Pequeno Livro do Rock

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2010 | 00h00

A história do rock não é feita só de acordes, mas também de pianos que pegam fogo, morcegos que perdem a cabeça e músicos que se tornam inomináveis, tudo isso no sentido literal. Outros biógrafos poderiam se limitar à produção artística, mas é o amálgama dessa trajetória de som e fúria o que cartunista francês Hervé Bourhis, de 35 anos, tenta retratar em O Pequeno Livro do Rock, lançado agora pela Conrad.

Vencedor do prêmio Goscinny em 2002 (por Thomas ou le Retour du Tabou, inédito no Brasil), Bourhis resumiu em 224 páginas um material que vinha recolhendo desde os 14 anos, entre álbuns, recortes de jornais e "toneladas" de livros. Juntou a adoração pela música com sua outra grande paixão dentro da cultura pop, os quadrinhos - a primeira HQ ele escreveu aos 7 anos - neste livro que saiu em 2005 e o tornou referência na França.

Aos admiradores do gênero vale avisar que não se deve esperar do resultado nenhum criterioso olhar enciclopédico e que é bom tentar uma leitura desapaixonada para não achar que sua banda favorita foi desprestigiada. "O projeto é deliberadamente subjetivo. Não acho que o rock deva ser objeto de um estudo acadêmico", diz o cartunista ao Estado.

Uma resposta a isso Bourhis sentiu na pele numa noite de autógrafos, quando um indignado fã do Gênesis lhe atirou o livro na cabeça (sobre a banda, em 1975, Bourhis escreve: "Peter Gabriel, vocalista do Gênesis, acaba de deixar o grupo, sem dúvida cansado de se disfarçar no palco de raposa, flor, pulgão ou espinha purulenta").

Mas, defende o autor, mesmo cantores ou grupos dos quais ele gosta não tiveram tratamento muito melhor. A banda inglesa The Ruts e o cantor Donovan, por exemplo, ficaram de fora. "O que importa é o papel que se teve. Uma banda obscura que "só" faça música boa é menos relevante que protagonistas de fatos insólitos." Jerry Lee Lewis, Ozzy Osbourne e Prince, os três artistas lembrados na primeira frase deste texto, estão aí para provar.

A música produzida em terras brasilis surge em três momentos, um deles inesperado para a saga de guitarras e baterias: o lançamento de Chega de Saudade, em 1958. Como bom francês, Bourhis adora João Gilberto, Tom e Vinicius, mas arrisca argumento mais científico. "É claro que, musicalmente, a bossa é o antirrock, mas é também um movimento que acompanha todos os outros de ruptura do pós-Guerra, o rock, o free jazz, o soul." Os outros dois minutos tupiniquins de fama ficam com Os Mutantes e o Cansei de Ser Sexy - neste último caso, porque um único bom single, opina o autor referindo-se a Let"s Make Love and Listen to Death From Above, pode bastar para gravar uma banda na história.

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