Rochelle Costi expõe fronteiras do real

Com uma exposição enxuta, marcada por poucos trabalhos em estreito diálogo, Rochelle Costi rompe esta noite um jejum de cinco anos sem realizar individuais. Uma das razões desse relativo afastamento da artista - um dos destaques da arte dos anos 90 e que durante esse período participou intensamente de uma série de mostras coletivas e bienais - pode ser visto logo à entrada da mostra, na imagem de sua filha de 3 anos, Lola. Em contrapartida à imagem da menina em sua primeira visita a Caxias do Sul, cidade natal da mãe, há uma cortina na qual é reproduzido em plotter a imagem bucólica do jardim no qual Rochelle passou sua infância. Só então o público vê as duas séries nucleares da mostra, um pouco suavizadas por esse parênteses sentimental: as imagens das Casas Cegas - residências desabitadas que devido à especulação tiveram portas e janelas emparedadas - e as fotos nomeadas de Arquiteturas Informais, três exemplos de construção tosca, que mal param em pé, mas têm muito mais vida do que as primeiras. Ironicamente julgamos ilusório (talvez um tanto artificial e manipulado) esse olhar que no entanto reflete a realidade tal e qual a artista encontrou. Daí o título Verdadeiras Ilusões, sintetizado na inacreditável imagem de uma pedra numa praia das Ilhas Seychelles: como alerta Rochelle, "não podemos esquecer da ilusão que vem dos nossos próprios sentidos". Rochelle Costi - De terça a sábado, das 11h às 19h. Galeria Brito Cimino: Rua Gomes de Carvalho, 842, tel. 3842-0634. Até 24/9.

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