Claudia Schembri / Divulgação
Claudia Schembri / Divulgação

Roberto em Jerusalém

O Rei fala de sua volta à Cidade Sagrada pela segunda vez e do concerto na terça

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JERUSALÉM

O voo 42 da El Al ainda deslizava pela pista do Aeroporto Internacional de São Paulo quando a aeromoça anunciou: "Viaja conosco Roberto Carlos, o Rei da Musica Latina". Na primeira classe, vestindo colete e calça jeans, camisa azul, boné e óculos escuros, Roberto se acomodava ao lado de Dody Sirena, seu empresário, e esperava seu prato de salmão com arroz, iniciando uma viagem que o levaria à famosa Terra Santa - desembocadura até natural para um homem cuja religiosidade e misticismo confundem-se com a bem-sucedida carreira.

"Ele ajudou a formar toda uma geração. Amo todas as músicas dele", derretia-se, já quando o avião passava sobre o Mediterrâneo, a argentina Diana Soae, de máquina fotográfica em punho, pedindo para o comissário de bordo da primeira classe uma foto do passageiro famoso. Diana, que viajava na classe econômica, conseguiu, e sua foto passou a ser disputada por alguns dos 20 jornalistas que viajavam a Jerusalém no mesmo avião - um souvenir raro, porque Roberto não circulou nas 14 horas a bordo. "Se você quiser, mando uma foto ampliada para você", prometia a orgulhosa Diana para a moça da revista que viajava ao seu lado.

Roberto estava em todo lugar. No teaser publicitário da TV de bordo, nos bottoms dos viajantes, que integravam o grupo É Papo Firme (haja música para batizar todos os 1,5 mil brasileiros que irão para lá até segunda-feira). Mas o que chamou a atenção foi o murmúrio, de madrugada, das dezenas e dezenas de viajantes a bordo rezando durante duas horas consecutivas. Depois da reza, um judeu ortodoxo foi até a poltrona onde Roberto estava para tirar uma foto com ele, outro souvenir que virou ouro a bordo.

"Estou indo a Jerusalém para turismo religioso, mas assim que soube que ele vai estar lá, fiquei doida para ir ao show", contou Liliana Nascimento, paulistana do Bom Retiro. "O problema é que me disseram que, no câmbio negro, o ingresso para o show já está custando US$ 1 mil. Desse jeito não vou chegar nem perto", lamentou Liliana. "Acho que vai ser um momento mágico. O que eu espero de tudo isso é magia", afirmou o diretor de TV Jaime Monjardim, também presente no voo. Monjardim vai filmar o especial do Rei na Cidade Sagrada.

No aeroporto Ben Gurion, em Tel-Aviv, o agente da alfândega também demonstrou curiosidade com aquele monte de gente chegando para ver um cantor. "Ele é muito famoso na América Latina?", perguntou. "O mais famoso", respondeu alguém. Colunistas como Joyce Pascowitch e Joaquim Ferreira dos Santos, de O Globo, estavam na comitiva. A caminho, estão Regina Casé, Bia Aydar, os filhos de Roberto (Luciana e Dudu), a ex-sogra do Rei (mãe de Maria Rita), a jornalista Glória Maria e até a namorada de Roberto. O quê? Namorada? Bom, esse é só um rumor, um "bafo" que acompanha o cantor desde que a mulher morreu, mas ninguém confirma, ninguém revela nada, como de hábito.

Já em terra, o guia do ônibus, Iuval, argentino de Bariloche, mostrava-se paramentado e preparado para o show. "Quero ouvi-lo cantando especialmente uma música: Jesus Cristo. Aqui, em Jerusalém, vai ser de arrepiar", afirmou. Iuval terá suas preces atendidas: o cantor garantiu, no repertório, ao menos três de seus clássicos religiosos: Ave-Maria, A Montanha e Jesus Cristo. Não sabe, entretanto, se cantará algo em hebraico - além do problema de não poder ferir suscetibilidades de parte a parte, entre palestinos e judeus, ele disse que precisava decorar a letra para não ficar lendo o teleprompter o tempo todo.

O show de Roberto no anfiteatro Sultan"s Pool será num palco maior do que o que ele montou no show de fim de ano em Copacabana (400 m², ante cerca de 300 m² daquele), com 60 mil watts de som. O cenário mostra os pontos principais de Jerusalém, e deverá ser assistido por 6,5 mil pessoas. Roberto filmará externas para o show da Rede Globo pelas ruas de Jerusalém, a exemplo do que já fizera em sua única vinda à cidade, nos anos 1970, para filmar Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa. O Especial da Globo será transmitido para 115 países pela Globo Internacional. Desta vez, a profusão de cartazes com o rosto de Roberto e a recepção surpreendeu até mesmo a realeza. "Eu tinha 9 anos quando comecei a cantar, lá em Cachoeiro, e nunca poderia imaginar que chegaria tão longe. Fiquei emocionado quando passei pelos cartazes nas ruas", disse o cantor.

Lá pelas 23 h, no restaurante do hotel King David Citadel, onde Roberto se hospedou, o pianista com quipá tocava sorridente Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, esperando que o hóspede mais célebre descesse para ouvi-lo. Mas Roberto estava surdo naquele momento. "Cheguei e fui dormir. Tava cansado, esse fuso horário...", disse o cantor. "Mas acordei cedo para o encontro com o presidente Shimon Peres".

De fato. Às 11 h, Roberto foi recebido pelo presidente de honra de Israel, o Prêmio Nobel da Paz Peres, de 88 anos, em sua residência no bairro de Talbia. Durante 30 minutos, trocaram cumprimentos mútuos. "Sua voz chegou a Jerusalém antes de seu corpo", disse Peres ao Rei. Roberto (confessadamente com a ajuda de assessores) decorou algumas palavras em hebraico para dizer ao líder. "Shalom aleinu veal koi haglam" (Paz para nós e para todo mundo). E cantou, a capela, Emoções para os presentes, uma canja das mais privilegiadas. Agora, ouvir mais, só na terça-feira.

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