Roberto Carlos ocupa toda Oca no Parque do Ibirapuera, em SP

Mostra faz retrospectiva dos 50 anos de carreira do 'Rei', com recursos interativos para atrair novas gerações

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

04 de março de 2010 | 11h34

 O curador Marcello Dantas na frente de um dos telões. Foto: Felipe Rau/AE

 

SÃO PAULO - Roberto Carlos empacotou pessoalmente centenas de corações de pelúcia e enviou as caixas para a Oca do Ibirapuera. Abriu seus armários e encaixotou os discos de ouro, fotos, presentes de fãs. Escolheu peças de roupa íntimas, organizou versões de músicas em todos os países em que foram lançadas, apontou os amigos que dariam depoimentos. Abriu o baú da "despensa real" e só proibiu mesmo certas coisas às quais tem notória aversão, como a cor marrom e conformações "estranhas" de objetos (como as formas amebóides, por exemplo).

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O cantor foi um tipo de co-curador da mostra que será aberta amanhã, às 19 horas, festejando 50 anos de hegemonia na MPB - supervisionou pessoalmente cada etapa da montagem, e tem até um camarim lá dentro, montado especialmente para a visita-surpresa que fará ao local.

"O que eu não queria era fazer uma exposição apenas para fãs, que fosse algo equivalente ao caderninho dos fanáticos. Porque, se fosse para fazer isso, era só pendurar as cuecas dele ali que encheria a Oca", disse o curador da exposição, Marcelo Dantas. "Eu quis que fosse uma exposição que pudesse demonstrar o impacto de sua obra em todo mundo, do garoto de 16 anos ao executivo da Avenida Paulista, até a dona de casa. Porque Roberto é o grande denominador comum do Brasil, é o artista que desconhece barreiras de classe. O pobre e o rico, o intelectual e o analfabeto: de uma certa maneira, todos passam por Roberto Carlos."

Curador mostra istalações da mostra, na Oca do Parque Ibirapuera, em SP. Foto: Felipe Rau/AE

Totalmente interativa, hi-tech, a mostra, contudo, não vai trazer grandes revelações do ponto de vista historiográfico sobre a carreira de Roberto e da Jovem Guarda. Não foram encontrados registros, por exemplo, da primeira temporada dele como cantor, aos 19 anos, numa boate do bairro de Copacabana. "Quem é que, aos 19 anos, teria como antever o futuro e enxergar aquilo que se tornaria?", pergunta Marcelo Dantas.

Por outro lado, haverá diversão de monte. Roberto não queria (detesta excluir), mas se viu obrigado a escolher dez pessoas com as quais teve uma parceria artística irreparável durante sua vida. Escolheu Tim Maia, Tom Jobim, Gal Costa, Pavarotti, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Wanderléa, Ivete Sangalo, Chitãozinho e Xororó e Hebe Camargo. Esta última, aliás, protagoniza um dos momentos divertidos - em depoimento, ela diz: "O que eu queria do Roberto era sexo. Sempre quis. E ainda quero."  

Serviço - Roberto Carlos - 50 Anos de Música. Oca. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º. Das 10h às 21h (fecha 2.ª, mas abre dia 8). R$ 5 (3.ª e 4.ª) e R$ 20. Até 9/5. Abertura sexta, 5, 19h.

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