Roberto Carlos no bordel

Bethânia carrega a reputação de ter feito a melhor releitura de todos os tempos do repertório de Roberto Carlos, reinando entre concorrentes de peso: Nara Leão, Nana Caymmi, Caetano Veloso, Marisa Monte. Claro que, com tanta gente ilustre na parada, ninguém pensaria em reexaminar a bolacha que Waldick Soriano gravou em 1984 para a estreia da gravadora Arca, milagrosamente relançada. Essência do machão brasileiro, Waldick na verdade era - segundo sua cinebiógrafa Patrícia Pillar - um homem melancólico e sozinho.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2011 | 00h00

Ao impor ao repertório sacrossanto de Roberto o lado bas fond de sua vida, o mélange de bebida, mulher, dor de corno, fracassos familiares, bolero & cinzano, Waldick fez o impensável. Ele desencaminhou Roberto, o desviou para um mundo subterrâneo, sacrílego, decorado por veludo de boate e cheiro de perfume barato. Ninguém nunca cantará Cavalgada como Waldick, que usava chapéu de banda e ray-ban de noite (30 anos antes de Liam Gallagher nascer). Metais e órgão mal tocado, percussão e cordas e corinhos emolduram 12 versões irretocáveis. Proposta é de estremecer o mastro da pole dance. Morto em 2008, aos 75 anos, o caboclo que viveu com 14 mulheres e encarnava o mito da potência como poucos tinha a medida exata da nossa tragédia sentimental.

WALDICK SORIANO

WALDICK SORIANO INTERPRETA ROBERTO CARLOS

Arca/Discobertas

Preço: R$ 18

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