Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Robert Mckee

Nasceu em Detroit e, aos 9 anos, já era ator; estudou literatura, foi diretor teatral, professor universitário, roteirista e hoje é 'o mestre dos roteiros'

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

Você é considerado o papa do roteiro, já deu aulas para dezenas de indicados, e premiados, para o Oscar, já virou "personagem" de filme (Adaptação, de Spike Jonze), viaja o mundo ensinando a escrever... Como tudo começou?

Por acaso. Nunca pensei em ser professor. Eu escrevia roteiros para a TV e tinha uma vida confortável na Califórnia até que o pessoal de uma escola pediu para eu formatar uma aula sobre roteiros. E fez tanto sucesso que pediram para eu dar a aula de novo, e de novo, e a cada vez tinha mais gente. Escrevi um livro, dois... O boca a boca fez de mim um profissional nisso.

Você escreveu roteiros que não viraram filme e hoje ensina a escrever. Isso o frustra?

Não. Ao contrário. Temos de sonhar, mas também ser pragmáticos. De cada 20 roteiros escritos, só um é filmado. E tive a sorte de fazer sucesso como coach, professor enfim. Claro que existe boa e má sorte, mas o que importa não é o que acontece com a gente, mas o que fazemos com o que acontece. E eu escolhi ensinar e escrever sobre a arte de contar bem uma história, seja no cinema, TV enfim, e adoro o que faço. sem contar que conheço gente de origens e culturas tão diversas.

Há uma semana, quando seu curso começou no sábado às 9 da manhã, afirmou que a falta de pontualidade brasileira é, no fundo, jogo de poder e até desrespeito pelo outro. Há quem defenda que "tempo é cultural" e cada povo tem seu limite de atraso.

Entendo que é cultural, que São Paulo tem trânsito...Então, por que os paulistanos já não calculam o tempo que vão perder? De qualquer forma, os brasileiros são muito educados. Meus alunos foram pontuais (depois da bronca) e as aulas, ótimas.

Você já deu aulas pelo mundo todo. Tem de se adaptar a muitas diferenças culturais?

Há muitas diferenças, mas são superficiais. Em um nível mais profundo, a essência humana é a mesma. Todos temos desejos, queremos ser felizes.

Desta vez, deu aula de gêneros (comédia, amor, terror, thriller). O que varia mais em cada cultura?

Humor. Apesar de ser uma reação humana, passa pelo racional, que muda muito. Já thrillers e histórias de amor funcionam com todos porque todos queremos amor, temos medo, paixão, desejos. Seja qual for a cultura e o meio social, essas emoções são instintivas e universais.

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