RJ: 20% das bibliotecas oferecem acesso à rede

Edvanda Nascimento, de 25 anos, perdeu a oportunidade de um emprego porque não sabia usar a Internet. Moradora da favela Pavão Pavãozinho, Zona Sul carioca, ela procurou a Paróquia de Ressurreição, em Copacabana, interessada no curso grátis de introdução à informática para os moradores da favela, idealizado pelo pároco José Roberto Devillard, que passou a pedir a colaboração dos fiéis nas missas. As doações dos computadores, sucatas e equipamentos de informática foram aproveitadas pelo aposentado e coordenador, professor Luiz Fernando Giancristoforo, à frente deste projeto como voluntário. Fiéis virtuais - A Igreja católica passa a reconhecer que tão importante quanto as necessidades espirituais e físicas dos fiéis está o plano virtual. No subsolo da igreja carioca, uma parede divide as salas onde são distribuídos alimentos e roupas e o local onde funciona o centro de informática para os moradores de baixa renda, cuja despesa com tinta e papel são assumidas pela paróquia, com administração do próprio professor Fernando, também o responsável técnica. Cada aluno recebe um método adaptado ao projeto, um disquete e uma pasta no computador. O maior desafio, além de manter a estrutura técnica, é conviver com a pobreza dos alunos. "Eles mal sabem escrever português, e tenho muitas vezes de alfabetizá-los através do computador", diz o professor. "Mas a maioria é muito interessada e muitos fazem aqui os trabalhos escolares. Outra dificuldade é a reciclagem destes conhecimentos para quem não possui computador em casa ou no trabalho. Uma turma formada no ano passado, no curso MS/DOS, terá que voltar a ter aulas para atualizar esta aprendizagem", esclarece .As inscrições são realizadas na Capela Anunciação, na entrada do Pavãozinho. O interessado preenche uma ficha, e é feita uma seleção que favorece a escolaridade e faixa etária mais jovem no preenchimento das 20 vagas. Será aberta uma turma especial para alunos da terceira idade devido à grande procura de idosos pelo curso. No momento, 80 nomes aguardam vagas.A sala do centro de informática da paróquia carioca possui 8 computadores com impressoras. Os alunos têm entre 11 a 50 anos, na maioria beirando os 30 anos. O ambiente é rustico e quente. Alguns ventiladores só aumentam os temores do professor Henrique de espalhar pó de giz e danificar os computadores.Política - A Secretaria de Estado da Educação do RJ mantém 12 núcleos, divididos em microrregiões, que funcionam como pólos regionais de formação ao professor para adaptá-lo às novas tecnologias, e esta é a prioridade na política educacional fluminense. Existe um projeto itinerante de formação continuada ao professor por todo o Estado."O corte de 7,5 milhões de empréstimos do Bird para ser aplicado em programas como o Pro Info (Programa de Informática Educativa) prejudicará a qualidade do ensino, uma vez, que através dele o professor conseguia comprar seu próprio computador, dividido em 36 prestações, o que representa um reforço na qualificação deste profissional do ensino", esclarece Heloisa Moura, coordenadora de Tecnologia Educacional da secretaria. A professora Lia Faria, secretária de Educação acrescenta que "não adianta encher as salas de aulas das escolas de computadores sem qualificar e reciclar os professores. A maior reivindicação que recebo por onde vou é em relação à instalação de laboratórios de informática. Demonstra a consciência de uma nova linguagem, que não é do futuro, é do presente. Quem não tiver acesso à Internet está fora e excluído do processo social".Na rede pública escolar municipal carioca existem 1.029 escolas com computadores e impressoras, sendo 800 interligadas pela Internet. Em apenas 3% delas funcionam pólos de mídia e educação, com salas equipadas para a realização de oficinas de atividades extra-classe dos alunos e de reciclagem para os professores.Bibliotecas - As bibliotecas municipais do Rio são administradas pela Secretaria Municipal de Cultura, 21 delas possuem computadores. Apenas seis bibliotecas estão conectadas à Internet e oferecem acesso gratuito à população. São as bibliotecas de Copacabana, Santa Tereza, Rio Comprido, Irajá, Ilha do Governador e Paquetá. No estado fluminense existem outras 12 bibliotecas, sendo quatro delas na cidade do Rio de Janeiro e oito no interior. Todas receberam um computador da Secretaria de Cultura, porém, limitado às atividades administrativas e nenhuma oferece acesso à Internet.

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