Rixa entre Supla e vizinho vai parar na delegacia

Roqueiro em casa, vizinho encrenqueiro. A equação bombástica existe há mais de dois anos na Rua Grécia, no Jardim Europa. E sem solução. Desde que voltou de Nova York, no fim de 1999, e se instalou na pacata rua dos Jardins, na casa do pai, Eduardo Smith de Vasconcellos Suplicy, o Supla, vem enfrentando embates diários com o aposentado Fernando Zarakauskas, 61 anos."Só neste ano liguei mais de 30 vezes para a polícia. O barulho é infernal!", reclama Zarakauskas. Ele mostra as provas: abre uma pasta com uma coleção de Boletins de Ocorrência contra o cantor e aponta o muro baixo que separa a família do aposentado do estúdio do roqueiro. "Isso aqui é uma zona estritamente residencial. Ele não pode ter esse estúdio na vizinhança. Ainda mais tocando aquela guitarra estridente, horrorosa até altas horas da madrugada."E a bronca continua. Zarakauskas reclama do excesso de visitas na casa, da campainha e até mesmo do indiscreto escapamento da moto do roqueiro. "Dênis Igor, meu filho de um ano e oito meses, está ficando com problemas psicológicos por conta de todo esse barulho. Você precisava ter visto o dia do aniversário dele...", diz Zarakauskas.Supla completou 36 anos no dia 3 de abril. Chamou os amigos e todos dançaram ao som de Nina Hagen e punk rock até altas horas, conta o vizinho."Na tarde do aniversário, o próprio Supla veio aqui e avisou a gente, pediu licença para fazer a festa", lembra a vizinha de muro Nair (cujo sobrenome não quis revelar). "Fez barulho sim, mas foi só essa vez. Supla é um rapaz muito gentil", completa. Paulo Franco, 38 anos, jornalista, o vizinho da frente, concorda com Nair. "A família é muito calma e discreta. Acho que o Zarakauskas anda exagerando nas queixas", diz."Não é o muro deles que faz divisa com o estúdio", rebate o vizinho. Por causa do barulho do aniversário, Zarakauskas entrou com uma representação contra Supla, o que possibilitou a abertura de um inquérito policial. Os trâmites correm no 15º DP, no Itaim Bibi. "Quando soube que fui à delegacia, Supla me ameaçou. Dia desses, me encurralou contra a pilastra de casa e, em cima da moto, acelerando, perguntou se ia mesmo processá-lo", lembra o vizinho.Supla, por meio da assessoria de imprensa, diz que prefere não comentar o assunto. Insólita é a solução vislumbrada por Zarakauskas, talvez uma das mais originais na rixa roqueiros versus vizinhos. "Caso o Lula ganhe as eleições, acho que minha situação aqui ficará insustentável. Serei perseguido. Nesse caso, vou pedir asilo político na Nova Zelândia."

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