Rivers, sax em prol da liberdade

Jazz perde o único instrumentista que ladeou de Billie Holiday a Miles

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h06

Jazzista com grande trânsito entre o blues e o R&B, morreu na segunda-feira de pneumonia o saxofonista norte-americano Sam Rivers. Tinha 88 anos. Foi duas vezes indicado ao Grammy e integrava o Jazz Hall of Fame.

Sam Rivers era geralmente apresentado como o único artista na história da música americana a ter tocado com os mais proeminentes artistas do blues, do swing, do bebop, do avant garde, do clássico e do contemporâneo. Esteve ao lado de Billie Holiday, Charlie Parker, B.B. King, Jimi Hendrix, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Cecil Taylor e muitos outros.

Nasceu Samuel Carthorne Rivers em 25 de setembro de 1923 em El Reno, Oklahoma. Seu avô, Marshal Taylor, que era pastor e músico, tinha publicado um importante livro sobre música em 1882, A Collection of Revival Hymns & Plantation Melodies, mapeando os cânticos de trabalho e fé dos escravos americanos. O pai estudou na Fisk University e cantava com o grupo da universidade; sua mãe tocava piano. Ele mesmo começou cantando, mas depois estudou violino, piano e trombone. Aos 13, migrou para o saxofone.

Sua primeira experiência foi no grupo de Jimmy Witherspoon na Marinha. Em 1947, entrou para o Boston Conservatory e se envolveu na cena do jazz. Em Miami, de 1955 a 1957, ele acompanhou o grupo de Billie Holiday. De volta a Boston, recrutou um garoto de 13 anos para tocar bateria em sua banda. Era Tony Williams. Seu grupo passou a acompanhar vários artistas do R&B e do blues, como Wilson Pickett, B.B. King, Maxine Brown e T-Bone Walker.

Em 1964, enquanto excursionava com T-Bone, foi convidado a integrar o quinteto de Miles Davis, entrando no lugar de George Coleman, que estava de saída. Com Miles, gravou o disco Miles in Tokyo. Depois, tocou por um tempo no grupo de Charles Mingus e começou a tocar com Andrew Hill, McCoy Tyner e Cecil Taylor. Ainda nos anos 1960, gravou quatro discos pela prestigiosa gravadora Blue Note.

Em Nova York, tornou-se diretor da Harlem Opera Company e líder do Harlem Ensemble. Em 1969, tornou-se professor da Wesleyan University e Connecticut College. Em 1973, assinou com outro selo lendário, a Impulse Records. Também flautista, usava o instrumento (além do toque distinto do seu sax tenor) em concertos.

Como Sun Ra e Pharoah Sanders, Rivers combinava atitude com qualidade artística. Sua figura inspirava jovens notáveis do jazz, como o pianista Jason Moran, que quis ser fotografado com Rivers na capa de uma revista que o destacava como novo fenômeno do jazz. Desde o final dos anos 1990, excursionava com seu conjunto Sam Rivers Rivbea Orchestra.

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