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Rivais no Oscar

A grande festa do cinema, que ocorre hoje à noite em Hollywood, coloca em disputa talentos e também estratégias de divulgação dos filmes

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

Chegou a grande noite do glamour e dos meganegócios do cinema americano. A partir das 23 horas (horário de Brasília, com transmissão pela Globo e canal TNT), quando os primeiros envelopes forem abertos, começa a 83.ª edição do Oscar que, diante dos holofotes, vai ser marcada pela tradicional disputa entre as estrelas, enquanto, atrás das cortinas, produtores calculam os lucros proporcionados pelas estatuetas. Uma luta estratégica, que até define a qualidade dos filmes deste ano, divididos entre o classicismo e a nova tecnologia.

Representando o primeiro está O Discurso do Rei, favorito ao prêmio de melhor produção do ano e também de ator, com Colin Firth. Do outro lado, A Rede Social, intrigante drama sobre a criação do mais importante site de relacionamento, o Facebook, que deverá ganhar a estatueta de direção, para David Fincher.

Como de hábito, a Academia de Ciências de Hollywood acolhe novidades tecnológicas, mas prefere aplaudir de pé o tradicionalismo. Assim, apesar de se apoiar em uma maciça campanha pelas mídias sociais (haverá transmissão pelo Twitter e Facebook), o convencional parece que ainda lhe agrada mais. Basta lembrar do ano passado, quando o inovador Avatar saiu de mãos abanando, obrigado a acompanhar a vitória de Guerra ao Terror que, embora criativo na direção, não apresentou nenhum recurso novo.

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O mesmo deve acontecer neste ano - o Kodak Theatre, local da festa, já está revestido do tradicional tapete vermelho para receber estrelas bem e mal vestidas. O foco deverá ser a equipe de O Discurso do Rei, líder nas indicações (12). A história da gagueira do rei George VI é narrada com um perfeccionismo exemplar pelo diretor Tom Hooper, artífice do mais puro classicismo cinematográfico tanto na trama como na narrativa, ambas apoiadas por notáveis atuações.

A Rede Social busca um equilíbrio entre roteiro e direção ao narrar a vertiginosa origem do famoso site, utilizando a mesma velocidade que caracteriza as navegações na internet para apresentar o amado e odiado personagem vivido por Jesse Eisenberg.

As vitórias se baseiam em regras básicas, que vão desde a comprovada eficiência artística como, principalmente, a bem manobrada campanha nos bastidores, na garimpagem pelos votos dos 5.755 eleitores da Academia. Sim, o Oscar não tem preço, mas a vitoriosa ascensão de O Discurso do Rei consumiu entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões em divulgação paga pela produtora Weinstein Co., segundo o jornal New York Times.

Trata-se da empresa do magnata Harvey Weinstein que, em 1999, quando comandava a Miramax, passou a rasteira no então favorito O Resgate do Soldado Ryan e faturou os principais prêmios com Shakespeare Apaixonado. Como? Na reta final dos votos, uma blitze publicitária avaliada em US$ 15 milhões ressaltou as qualidades do filme. E os prêmios turbinaram as bilheterias.

E onde fica a arte? Hollywood habituou-se a reservar seu olhar mais artístico para categorias secundárias, como as de filme estrangeiro e documentário, na qual o Brasil está participando com Lixo Extraordinário, coprodução da O2 Filmes. "O filme vem surpreendendo por mostrar a superação das pessoas", disse ao Estado o codiretor João Jardim. É o caso do reciclador de lixo Tião dos Santos, que vai cruzar à noite, e de queixo erguido, o tapete vermelho. "Sempre fomos desprezados", comenta.

A vitoriosa trajetória do filme será acompanhada hoje por um telão em Jardim Gramacho, no Rio. "Mais de 5 mil pessoas vão assistir", acredita Tião.

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