Rita Lee: Domingo que vem na Discoteca Estadão

Fruto Proibido, o segundo disco de Rita Lee depois do fim dos Mutantes, chegou ao mercado em meados de 1975 com o intuito de estourar. "Os grupos de rock, aqui, têm horror em ser comerciais, acham que é baixar o nível", contou a cantora, sobre o disco, ao jornal O Globo, em 76. "Eu acho que é subir de nível. É chegar às pessoas, vender. Não é para isso que se fazem discos?", completou.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Rita acabara de quebrar os vínculos com a gravadora Philips, de André Midani, que palpitava em quase todos os detalhes de seu trabalho. E o disco, a ser relançado no próximo domingo pela Discoteca Estadão (estará nas bancas por R$ 14, 90), provou que a cantora tinha pernas para caminhar sozinha: as mais de 200 mil cópias vendidas não só consolidaram seu status como a rainha do rock nacional, como também abriram definitivamente as portas comerciais para o rock brasileiro, que na época vendia pouco e era, logicamente, mal-visto pela ditadura. Hoje, Fruto Proibido é considerado por muitos a obra-prima de Rita está em 16.° lugar na lista de discos brasileiros mais importantes de todos os tempos, feita pela revista Rolling Stone.

A faixa-título foi censurada pela ditadura por falar do "paraíso que estava escondido dentro do fruto proibido", comprando, de quebra, briga com a Igreja e a classe média. As provocações aos militares custariam caro à cantora. Um ano depois ela seria presa, grávida de três meses, por porte de maconha. Rita passou uma semana no Deic, um mês no presídio feminino e mais um ano em prisão domiciliar. Durante o período que passou presa no Deic, o carcereiro fez questão de urinar e defecar na sua sala todos os dias. "A vontade de fugir de Alcatraz era grande, mas minha barriga era maior. Até hoje, quando vejo um camburão, as pernas balançam", declarou em entrevista anos depois.

A banda de Rita, Tutti Frutti, cujos membros a cantora acabara de trocar pelo desinteresse musical que a formação antiga tinha, estava afinadíssima e fazia um rock em equilíbrio entre o som escrachado dos Mutantes e as produções enxutas que Rita faria mais tarde, com Roberto de Carvalho.

Identidade. Mas a veia comercial já era nítida. Basta ouvir Ovelha Negra ou Agora Só Falta Você, clássicos que se integraram à identidade musical do País, para se constatar o talento para melodias contagiantes e acessíveis da cantora.

Em termos visuais, o disco levou a sério a proposta de fazer rock profissional. Os espetáculos da turnê traziam Rita de luvas de cetim, corpete e cinta-liga, faziam homenagem (vestida) a Luz del Fuego, tinham cenografia elaborada e um conceito "surround" que mixava os instrumentos musicais com o intuito de envolver o público na experiência sonora.

O disco também é um marco importante para Paulo Coelho, que acabara de romper sua parceria com Raul Seixas e topava de tudo (havia estrelado numa pornochanchada e pensava em flertar com o diabo). A parceria rendeu a faixa-título e também Esse Tal de Rock Enrow, que narra a história de uma menina que, para desespero dos pais, enlouquece por causa do rock"n"roll.

FRUTO PROIBIDO

Rita Lee

Preço: R$ 14,90

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