Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Rita Lee dá o pontapé inicial para a Virada começar

Roqueira abre festa que teve no primeiro shows de rap no Palco da República; primeiras horas foram tranquilas

Lucas Nobile, de O Estado de S. Paulo ,

17 Abril 2011 | 18h26

Rita Lee deu o pontapé inicial da Virada Cultural Paulistana de 2011 no sábado, 16. O show foi eletrizante, marcado por declarações políticas, que trouxe por volta de 20 mil pessoas à Praça Julio Prestes, em frente à Sala São Paulo. Não demorou para que Rita apimentasse o seu discurso. Auxiliada por sua banda família, com filho e marido nas guitarras, abriu com Agora só falta você, e logo disse: "Perto da Virada Cultural Paulista, o Rock in Rio é um cemitério musical". A galera aplaudiu, mas era só o início. Na metade de Ovelha Negra, destilou o veneno: "Entra governador, sai governador e São Paulo continua igual. Porque eles não tiram a bunda da cadeira e vão trabalhar?" O público ia ao delírio.

 

Rita deu então sequência ao que foi um dos melhores shows do ano até agora. Energética, dançando leve sobre o palco, disse que era a irmã gêmea de Ozzy Osbourne. Sua banda-família, com o filho Beto Lee e o namorado Roberto Carvalho nas guitarras, fazia rock and roll eficaz e dançante ao entardecer. Rita cantou Doce Vampiro, Lança Perfume e outros clássicos. Deu espaço para um sósia do Michale Jackson, que incendiou a praça com uma versão de Bad.

 

Acrobacias

 

 Sobre a plateia, quatro mulheres de vestidos coloridos faziam acrobacias penduradas de um trapézio coletivo, uma Polaroid exata da miscelânea de povos e estilos que dá vida à Virada. Até as 17h30, o trânsito era tranquilo nos arredores da Sala São Paulo. Casais como Alexandre Moisés e Mara Frateso show de chi, de Ribeirão Preto, e grupos de fãs se juntavam para o show de abertura. "Amanhã (domingo) vai ser melhor", contou Alexandre, que viera à capital por causa da programação brasileira. "Paulinho da Viola, Almir Sater, Renato Teixeira", Vamos escutar samba e sertanejo bom, embora sejamos de Ribeirão e lá isto não faz falta." completou.

 

O Fã João Cândido previu as alfinetadas de Rita, especulou "Ela não participou das últimas viradas por motivos políticos. Ela sempre fala um monte e por isso foi tesourada pelo Serra e pelo Kassab esses anos", completou. Às 20h Edgar Winter subiu ao palco da praça para tocar seu rock clássico, que era ouvido em alto e bom som nos arredores.

 

 

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Rap, subjugado

 

Frequentemente subjugado de maneira leviana, o rap nacional novamente deu a volta por cima. Desde a briga generalizada na edição de 2007 da Virada Cultural, o gênero foi associado à violência pelo fato de a confusão ter ocorrido durante o show dos Racionais MCs. Quatro anos depois, o rap voltou ao evento, sem brigas, com a presença de um público diversificado, incluindo famílias e crianças. "O rap tem que ser respeitado como qualquer música. É um estilo muito forte e presente no cotidiano das pessoas, é a trilha sonora da metrópole São Paulo.

 

A prefeitura e a secretaria devem estar se sentindo culpadas por terem deixado todo esse tempo de fora. A gente abriu a Virada deste ano sem nenhuma treta e pra esse monte de gente. Aquilo já era, é virar a página e seguir em frente", disse o DJ KL Jay após o show, referindo-se à volta do rap.

 

Com o projeto Festa 011, formado por KL Jay e o MC Edi Rock, ambos dos Racionais, acompanhados de Don Pixote, os rappers subiram ao Palco República após anúncio do apresentador Nelson Triunfo, no horário previsto, às 18h.

 

Depois de abrir a apresentação com Jorge da Capadócia, de Jorge Ben, o grupo - que contou com as participações de nomes como Dexter e Nathy MC - levantou a plateia com diversas pedradas sonoras, incluindo temas dos Racionais, como Nego Drama.

Com equalização bem cuidada e o volume do som chegando a todos os pontos da Praça da República com nitidez, o grupo deixou o palco às 19h15, com mais um clássico dos Racionais, Mágico de Oz, dedicado por Edi Rock "a todas as criancinhas do Brasil, lembrando a covardia de Realengo."

 

Às 20 h, no horário previsto, teve início o show do norte-americano Taylor McFerry com o brasileiro BNegão. Em 1h10 de apresentação, a dupla que havia tocado junta apenas uma vez, no ano passado, conseguiu levantar a plateia, bem mais numerosa em comparação com o show anterior.

 

Na base do improviso, com sintetizadores e um beat box pra frente, McFerrry fez a cama para BNegão levantar o público com suas rimas pesadas, incluindo temas antológicos de sua ex-banda, o Planet Hemp, como Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa) e Contexto, citando um dos fundadores do grupo, o já falecido Luís António Skank. Além disso, o rapper cantou composições suas, como Enxugando o Gelo, e de outros nomes importantes da música brasileira, como a sambista Jovelina Pérola Negra (Sorriso Aberto) e Chico Science e Nação Zumbi (A Praieira). Ao fim da apresentação, McFerry disse ao Estado "ter sido incrível tocar para tanta gente" e BNegão comentou sobre a volta do hip hop à Virada. "Aquilo que aconteceu com os Racionais criou uma nuvem, uma energia carregada contra o rap e muitas pessoas fizeram um julgamento precipitado. Tem que ser respeitado o gênero. É uma música que nasceu na rua, feita pra rua e não pode ficar fora da rua", disse o cantor.

 

Às 22 h, o show do trombonista Fred Wesley - chamado por BNegão de "maestro do maestro" pelo fato de ele ter acompanhado James Brown - e the New JB's (EUA) também começou no horário, mostrando a boa organização do Palco da República em relação ao cronograma prometido. O trombonista subiu ao palco acompanhado de mais seis músicos e tocou temas antológicos, como No One. Na apresentação da legítima soul music americana, o naipe de metais com trombone, trompete e saxofone - acompanhado de guitarras, baixo, bateria e teclado - animou a plateia com improvisos, ataques e convenções quentíssimos.

 

Na área destinada a imprensa e artistas, na boca do palco, Nelson Triunfo comandou passos de dança e, mais ao lado, BNegão e Taylor McFerry, que haviam acabado de se apresentar, acompanhavam o show empolgados.

 

Primeiras horas tranquilas

 

Segundo a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana e o Corpo de Bombeiros, não houve nenhuma ocorrência até o horário. Apenas um homem completamente embriagado invadiu o fosso da imprensa, foi retirado pelos seguranças do evento e devolvido à pista. Até as 22 horas, ambulantes vendiam garrafas de vinho a R$ 7 e, na bandeja, uísque com energético, por R$ 10, a dose. Até o horário, o atendimento no ambulatório do palco era tranquilo, com um caso de queda de pressão de uma garota e outro de um homem embriagado. Logo em seguida, porém, uma mulher alcoolizada desmaiou e foi atendida pelos próprios amigos até uma ambulância chegar, poucos minutos depois. No mesmo local, um rapaz embriagado e com ferimentos - sua camisa estava ensanguentada - pediu ajuda a um grupo de policiais após se envolver em uma briga na Praça da República. Os PMs não localizaram os agressores até o momento.

Na lateral do palco, a saída da estação República estava com movimento intenso e com revista policial bem organizada.  (Colaborou Roberto Nascimento)

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