Riso corre solto pelas ruas de São Paulo

As gargalhadas saem da Avenida Pedroso de Moraes, se encontram com risos incontidos da Rua Tavares Cabral e sobem em direção à Avenida Paulista. Se reúnem com uma pequena histeria que vem da Frei Caneca antes de seguirem para a Faustolo, na Lapa. Estridentes mas incansáveis, voltam a Pinheiros no fim da noite e se juntam a outras bocas escancaradas que tomam a Rua Cônego Eugênio Leite. Só retornam a suas casas na alta madrugada, prontas para tomar as ruas na noite seguinte.No Avenida Club, em Pinheiros, elas surgem sempre que um tocador de rumba entra em cena no espetáculo Terça Insana. Ele se monta desajeitado, coloca saia, pega as maracas e, quando todos pensam que vai cantar algo interessante, chega ao microfone e grita um inspirado ?Uh!?. Só isso. Grita e some atrás das cortinas. ?Não parece nada, mas é um dos números que fazem mais sucesso?, confidencia o ator que lhe dá vida, Marcelo Mansfield. As paredes do restaurante Eugênia, na Cônego Eugênio Leite, custam a segurar o furdúncio que sua platéia faz aos sábados quando Bruno Motta entra com o quadro As Notícias de Sábado à Noite. Sério, passa a agir como se fosse um William Bonner de Pinheiros. Um de seus últimos ?furos? jornalísticos: ?Preta Gil foi uma das convidadas VIP do desfile da Zoomp. Minutos antes, a animada cantora atravessou o palco para sentar-se no colo do amigo Henri Castelli. Coincidência ou não, o rapaz precisou atender ao celular e levantou na mesma hora. Preta então dirigiu-se ao colo de outro amigo, o ator de Cidade de Deus?, Jonathan Haagensen. Jonathan foi internado e passa bem.?A história compete no risômetro com uma portuguesa sexóloga que entra em cena às terças-feiras, na mesma casa. Maria das Dores, encarnada por Andréa Barretto, vai ao microfone e trata logo de se apresentar em sotaque carregado: ?Meu nome é Maria das Dores. Sou especialista em sexo tanto para homens quanto para mulheres e obviamente para os dois sexos. Sou formada pela Universidade de Coimbra e reformada pela Universidade de Trás-os-Montes com especialização na técnica sadomasoquista.?Suas parceiras de palco do humorístico TPM ? Terça Para Mulheres reforçam os ruídos que saem do Restaurante Eugênia com números de deslocar maxilares. A menininha Larissa, personagem de Marcela Leal, se apresenta assim: ?Oi, meu nome é Larissa. Tenho 13 anos e sou uma paranormal.? O fato é que lá pelas tantas entra em cena até Padre Quevedo, evocado para tirar o que se pensa ser a coisa ruim do corpo da garota. Juliana Ruiz faz papel de uma Branca de Neve com cabelo crespo cansada de fazer chapinha. Claudia Cavalheiro vive Gargalhadona, uma mulher que só ri e ri o tempo todo.Andréa fala de outro personagem que interpreta depois de uma advertência: ?Não sei se você vai poder publicar isso aí.? Bem, dá-se um jeito. A atriz interpreta, além da portuguesa assanhada, um garoto criado por uma fábrica de chocolates com o nome quase impublicável de ?Supêniscal?, um experimento da empresa para fazer com que as pessoas consumam mais chocolates.Na Rua Frei Caneca, risos saem de lábios mais contidos no elegante teatro Crowne Plaza. Está lá o mesmo Marcelo Mansfield da Terça Insana, de humor aqui mais implícito que debochado. O absurdo é que Mansfield e seu parceiro Daniel Alvin, vestidos como homens e falando como tais, interpretam duas mulheres que se encontram todos os dias para lembrar de um morto que era ao mesmo tempo marido de uma e amante da outra.Corta para o quintal de uma casa na Lapa e lá estão duas equipes de palhaços no espetáculo Jogando no Quintal. O riso aqui sai depois de um esforço mental. A platéia dá os motes e os artistas, entre eles os criadores Márcio Ballas e César Gouveia, criam quadros de improvisos em até 10 segundos. Se a Lapa ouve risos é sinal de que eles foram bem. Se são gargalhadas, trata-se de mais uma noite daquelas.Serviço - Eugênia Restaurante (Rua Cônego Eugênio leite, 1152, tel.: 3031-2670); Tearo Crowne Plaza (Rua Frei Caneca, 1360, tel.: 289-0985); Avenida Club (Rua Pedroso de Moraes, 1036, tel.: 3814-7383); Rife Caf;e (Rua Tavares Cabral, 145, tel.: 3813-0937); Quintal de casa da Lapa (Rua Faustolo, 637, tel.: 3871-1204)

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