Rio verá outra mostra do Barroco

O módulo Barroco da Mostra do Redescobrimento, que será inaugurado no Rio na próxima segunda-feira, está quase totalmente diferente do que foi visto em São Paulo. A museóloga Mari Marino, diretora do Museu de Artes Sacras de São Paulo e há um mês curadora do módulo, renovou em 80% as peças da exposição. O Museu Nacional de Belas Artes é o local escolhido para abrigar a exposição, que fica no Rio até o dia 20 de janeiro do ano que vem. Mari diz que a primeira curadoria, pela historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, enfocou as escolas barrocas, como a de Minas Gerais e Pernambuco, com ênfase no imaginário dos artistas. Nesta segunda fase, a intenção será mostrar os componentes mais destacados da arte barroca: o ouro e a prata. "Vamos mostrar o auge do barroco brasileiro", diz ela. Na primeira versão, 250 peças fizeram parte do módulo barroco. Agora, Mari conseguiu juntar 450. "Estamos levando para o Rio peças inéditas", revela a curadora, "mas o trabalho de cenografia da exposição, feito por Bia Lessa, continua o mesmo". Mari se refere à idéia de dispor as peças como se estivessem em uma procissão. "A mostra começa numa igreja a vai em procissão até terminar em outra igreja, com a diferença de que vai haver mais peças", diz. Ela garante que o acervo reunido no Museu Nacional de Belas Artes do Rio vai surpreender a muitos. "Todos pensamos que já conhecemos o barroco brasileiro pelos livros, mas existe muito mais por aí, em casas de colecionadores". Outra surpresa guardada para o Rio é uma homenagem à cidade. Ao longo da seqüência de peças, 60 imagens de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, serão expostas. "Para reunir as imagens de São Sebastião aceitamos sair do barroco, mostrando esculturas dos séculos 19 e 20", diz a curadora. A equipe técnica que vai montar o módulo Barroco no Rio não teme que as peças expostas sofram os mesmos danos ocorridos em São Paulo. Perto de 30 peças sofreram pequenas rachaduras e tiveram que se restauradas. Segundo a curadora, o Museu Nacional de Belas Artes do Rio é aclimatado e pode manter condições de umidade estáveis. "As peças se ressentem quando a umidade do ar é instável", ela explica. Mari Marino teve um mês para reformular o módulo Barroco da Mostra do Redescobrimento. Por essa razão, ela teme que nem todos os preparativos estejam completos na data de inauguração, mas diz não se importar com isso, apostando na qualidade do trabalho que realizou: "quem viu o barroco em São Paulo vai ter que ver de novo, pois é uma nova exposição".

Agencia Estado,

02 de novembro de 2000 | 21h51

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