Rio vê obra de Hélio Oiticica em dose tripla

Este é o ano do reencontro do artistaplástico Hélio Oiticica com o público carioca. Depois de algunsanos em que seus trabalhos eram pouco vistos na cidade (que temum centro cultural com seu nome), eles começam a chegar ao Rio -definitivamente, como é o caso do penetrável Magic Square nº5, instalado no Museu do Açude, no Alto da Tijuca, desde maio,ou em mostras temporárias como Além do Espaço, já em cartaz,com 37 obras colocadas dentro e nas imediações do Centro deArtes Hélio Oiticica, perto da Praça Tiradentes. Além disso, 21 desenhos que ele fezpara o filme A Cangaceira Eletrônica, de Antônio Calmon, sãoa principal atração da exposição Atípicos, da Sílvia CintraGaleria de Arte, com trabalhos incomuns na obra de dez artistasbrasileiros. A história dos croquis é acidentada. Em 1970,Antônio Fontoura ia filmar uma versão futurista da história deLampião e Maria Bonita, tendo Gal Costa como protagonista.Oiticica havia feito os cenários para o show Deixa Sangrar,da cantora, e tornou-se diretor de arte do filme. Desenhou ascenários e os figurinos, mas a produção não foi adiante. Elemudou-se para os Estados Unidos, ninguém mais pensou nosoriginais. Só este ano foram reencontrados e, como são a únicacontribuição de Hélio para o cinema, vão estar na mostra que temainda trabalhos fora de série de Waltércio Caldas, CarlosVergara, Amilcar de Castro e outros. Terceira dimensão - Além do Espaço faz umaretrospectiva dos últimos anos do artista, que morreu em 1980.Nos anos 70, ele expandiu seus trabalhos para a terceiradimensão e, por isso, a atual mostra tem algumas novidades. Umadelas é a montagem do penetrável Invenção da Luz, num largopróximo ao centro cultural que leva seu nome. Tal como o MagicSquare n.º 5, faz parte da série de oito obras de grandesdimensões, em concreto e acrílico, que Oiticica criou em NovaYork, com a intenção de instalá-las no Central Park. Nãoconseguiu levar seu plano adiante, só deixou as maquetes comindicações minuciosas para sua execução, quanto à medidas ecores. "Pela primeira vez, a obra do Hélio vai ficar no lugarque ele imaginou, ou seja, no meio da rua, onde o público podeinteragir com ela", comemora o sobrinho dele e curador de seulegado, César Oiticica. "Os dois penetráveis são um novoconceito de arte pública, mas aqui no Brasil há vários problemaspara sua execução, a começar pelo preço. Como são obrasintegradas, haverá um ônibus saindo da Praça Tiradentes paralevar o público ao Museu do Açude. Assim eles vão comparar asduas." Os outros trabalhos de Além do Espaço vêm da Bienalde Havana, onde estiveram no fim do ano passado. Entre elesestão os Bólides, o Ninho (espécie de prévia dospenetráveis) e Neyrótica, de 1974, que ainda não havia sidomostrada no Brasil. Os famosos parangolés vão ser vestidos pelopúblico ou pessoas de baixa renda que vivem nas imediações. Amostra fica no no Rio até 31 de outubro.

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