Rio vê a beleza e a diversidade da arte africana

Arte da África, exposição que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio inaugura esta noite, não é apenas a maior exposição sobre o tema já realizada no País. Reunindo mais de 300 peças de um dos mais importantes acervos do mundo nesse campo, o Museu Etnográfico de Berlim, a mostra pretende revelar ao público a beleza e a diversidade das obras produzidas ao longo de vários séculos em praticamente todo o território do continente africano - são contemplados 31 países da África subsaariana, com obras confeccionadas entre os séculos 15 e 20. Alguns desses trabalhos, como a escultura de Chibinda Ilunga - escolhida como símbolo do evento -, são considerados obras-primas mundiais.Mas tão importante quanto o desejo de divulgar a excelência estética e cultural dessas peças é a intenção explícita de desfazer os equívocos tão comuns quando se fala em arte africana. "Trata-se de uma exposição de arte e não uma mostra de cunho antropológico, vista a partir de uma noção ?afrocêntrica?", explica Peter Junge, diretor do departamento de África do museu berlinense (no qual estão 75 mil das 500 mil peças agregadas pela instituição desde sua fundação, em 1873). O mais importante desses preconceitos se refere à idéia de magia, misticismo ou utilitarismo normalmente associada a esses objetos, reservando apenas à produção ocidental o status de objeto de arte. Junge é taxativamente contrário à idéia de que os objetos artísticos africanos seriam apenas registros dos hábitos e tradições de uma cultura primitiva.Brasil e África - A íntima relação cultural entre África e Brasil e o papel de destaque da produção africana enquanto alimento criativo da arte do século 20 estão na raiz do projeto dessa exposição, idealizada inicialmente por Alfons Hug, diretor do Instituto Goethe do Rio e curador-geral da Bienal de São Paulo. Foi por intermédio do Goethe que se estabeleceu a parceria entre o Museu Etnológico de Berlim e o CCBB, que encontrou nessa mostra um interessante mote para as comemorações de seus 14 anos. Tanto que, além da exposição, foram organizados eventos multidisciplinares tendo a cultura africana como tema. Dentre os quais se destaca um amplo seminário sobre arte africana, que será iniciado no próximo dia 18. Depois do Rio, a mostra segue em versões menores para São Paulo e Brasília.A repórter viu a exposição em Berlim para onde viajou a convite do Instituto Goethe do Rio

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