Rio vai mapear grupos folclóricos

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, os grupos folclóricos receberão apoio da administração municipal para sua identificação. O anúncio será feito nesta quarta-feira, no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa. Neste mesmo dia, será lançada uma pesquisa de mapeamento de grupos de cultura popular na cidade com término previsto para outubro de 2000. O evento é parte de um projeto de identificação e preservação da cultura popular no Rio, com custo de R$ 40 mil.Foram cinco os selecionados para receber a verba da Prefeitura: as Folias de Reis Estrela Guia e Penitentes de Santa Marta, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila, o Bumba-meu-boi Reis do Congo e o cordelista Mestre Azulão. Eles receberão indumentária, instrumentos musicais, material para reforma dos adereços e outros itens essenciais."Além do aspecto cultural de resgate das raízes brasileiras, eles desempenham importante trabalho social nas comunidades carentes onde atuam", destaca a secretária de Cultura Vania Bonelli. A seleção partiu do trabalho da diretora do Arquivo Municipal do Rio, a antropóloga Lélia Coelho Fraga.Segundo Vânia Bonelli, o projeto já nasce em caráter emergencial: alguns deles estavam ameaçados de desaparecer, como as folias de Reis, por falta de materiais básicos. A idéia é preservar e compreender a produção de cultura no Rio, não somente de cultura carioca, mas de grupos que "atuam na cidade". Haverá apresentações dos grupos durante o evento e exposição de indumentárias, textos, instrumentos e fotos sobre folclore carioca, uma mistura de tradições negra, indígena e portuguesa.Quem é quem - A Folia de Reis Jornada Estrela da Guia foi fundada em 1967, tem 25 integrantes (instrumentistas, penitentes e coro) em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Os Penitentes de Santa Marta existe desde 1976 e é cria do Morro Dona Marta, em Botafogo, mas seus integrantes têm origem de várias partes da Região Sudeste. Eles visitam outras comunidades pobres, como Rocinha, Tavares Bastos, Trapicheiro, Morro 117 e os da Ilha do Governador, levando a sua arte. As folias de Reis são manifestação folclóricas que celebram o nascimento de Cristo, cantando em versos a vida e o sofrimento. Saem à meia-noite do dia 25 de dezembro e encerram a jornada no dia 20 de janeiro, realizando a procissão de São Sebastião.O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila - Fundada em 1988 é presidida por Dinorah (Affonsina Pires), Estandarte de Ouro Personalidade do Carnaval, em 1998. Desenvolve oficinas de carnaval, balé, sapateado e música instrumental para crianças e jovens moradores de áreas carentes de Vila Isabel.Reis do Congo, fundado há 56 anos, revive a tradição do bumba-meu-boi, bailado popular cômico-dramático que conta a história de um boi morto para satisfazer o desejo de uma mulher grávida de comer carne. No fim, o animal ressuscita.O mais conhecido artista dessa leva, certamente, é Mestre Azulão (José João dos Santos), paraibano radicado no Rio de Janeiro há 51 anos, que tem 318 títulos publicados de Literatura de Cordel. Ele é integrante da Academia Brasileira de Cordel e consta da Antologia da Poesia Popular Brasileira, publicada pela Fundação Casa de Rui Barbosa. A prefeitura garantiu a reedição de nove de seus maiores sucessos, 200 exemplares de cada: Dão Pedro Primeiro e a Marqueza de Santos, Nascimento, Vida e Obra de Vinicius de Moraes, Proteja o Meio Ambiente, A Peleja de Azulão na Palmeirinha, A Peleja de Azulão com Miguel Bezerra, Meninos de Rua, Cem Anos de República na Literatura de Cordel e Camisinha para Todos. As 21 bibliotecas populares receberão 10% dos exemplares de seus livros.Pesquisa - Foi necessário mapear as várias formas de expressão popular na cidade. Para isso, a Secretaria encomendou uma pesquisa O mapa e as minas: Inventário da cultura popular no Rio e Janeiro, coordenada pela antropóloga Cáscia Frade, que localizará os registros de grupos folclóricos no mapa do município com a utilização de ícones que estabelecendo diferenciações entre eles. Todo esse material será publicado, acompanhado de verbetes explicativos também em inglês, uma forma de inseri-los no circuito de turismo cultural da cidade.Vânia Bonelli acredita que a partir deste projeto os grupos poderão se manter ainda por muito tempo, o que garantiria a continuidade dessa manifestação. Além disso, ela pretende propor um projeto de lei de apoio à cultura popular no Rio. "Ainda não verifiquei se existe uma lei específica, mas com certeza, não há nada em prática no momento"Centro Cultural José Bonifácio - R. Pedro Ernesto, 80, Gamboa. Início Às 18h, entrada franca.

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