Rio sedia encontro de projetos culturais

O Rio recebe, de quarta a sexta-feira, profissionais da área de cultura para o primeiro Encontro de Projetos Culturais-Integração Nacional, no Centro Cultural Banco do Brasil. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura com patrocínio da Petrobrás, é dedicado à difusão, intercâmbio e capacitação cultural, além de discutir a economia na área. Foram selecionados nove grandes projetos de sucesso no Paraná, São Paulo, Bahia e nas cidades de Brasília, Recife e Tiradentes. O Rio apresentará as Lonas Culturais - tendas que abrigam espetáculos artísticos de todo tipo, na periferia - e uma pesquisa de mapeamento da cultura popular, que revelou algumas surpresas sobre o folclore na cidade, como um Círio de Nazaré, na Tijuca. Hoje, na abertura, está confirmada a presença do Ministro da Cultura, Francisco Weffort, que assistirá à apresentação da Orquestra de Vozes Meninos do Rio, um coral de 1.200 crianças de escolas públicas."Eu tenho vontade de realizar um evento deste tipo há muito tempo", explica a secretária de Cultura Vânia Bonelli, que deixa o cargo em janeiro de 2001 com a mudança do governo municipal. Ela explica que o Rio apresenta uma diversidade cultural que está em constante "troca" com o resto do País. "Este encontro tem um objetivo prático: o intercâmbio, a troca de experiências que deram certo". Os projetos apresentados no encontro foram selecionados a partir de pesquisa da própria secretária em contato com outros Estados e instituições.O Paraná trouxe a idéia do Comboio Cultural, uma iniciativa da secretaria de Cultura do Estado, que está realizando espetáculos para a comunidade em sete ônibus equipados e transformados em palcos. O Mala de Leitura está inserido no Projeto Seringueiro, no Acre, e reúne 12 voluntários que levam 30 livros em mochilas, as malas-bibliotecas. Eles viajam até dois dias de barco para chegar às comunidades de seringueiros mais distantes e, pelo contato, incentivar o hábito de leitura.Patrocinado pela Petrobrás, o Mãe Gentil produz musicais infantis em comunidades carentes. O tema é sempre a identidade cultural brasileira. Durante seis meses as crianças montam um espetáculo multimídia integrando música, dança, teatro, vídeo, artes visuais e moda. O projeto começou no Rio, está agora em São Paulo e depois segue para outros estados. São Paulo também é a sede do Cidade Escola Aprendiz, uma ONG que promove a recriação de espaços públicos na cidade por meio de trabalho educacional, cultural e coletivo. A Fundação Nacional de Tropeirismo, da cidade paulista de Lorena, trouxe um representante para apresentar a instituição, um espaço de estudo e pesquisa sobre o tropeirismo e sua influência na formação do País.A capital do País vai mostrar a experiência do Biblioteca em Ação, um curso de capacitação de agentes comunitários e dinamizadores para o trabalho em bibliotecas públicas. O projeto Axé, da Bahia, oferece educação integral de crianças e adolescentes carentes e procura educar por meio da arte musical e da capoeira.Para discutir a questão do patrimônio cultural, um dos pontos-chave do evento, será apresentado o projeto Patrimônio Economicamente Sustentável. A partir das experiências de Recife e Tiradentes, dois centro urbanos históricos tombados, serão analisadas as questões de restauração urbanística, comunicação e gestão de parcerias.A Secretaria de Cultura do Rio acredita que as Lonas Culturais são os melhores exemplos da ação da prefeitura, que teve como meta a descentralização da cultura. "A nossa intenção, durante esses oito anos de mandato, foi criar novos pólos de irradiação cultural", explica a secretária Vânia Bonelli. "A transformação das bibliotecas em centro culturais e o projeto das lonas contribuiu muito para isso". As Lonas foram criadas aproveitando-se de tendas que sobraram da Rio Eco-92. Hoje elas estão espalhadas pelo subúrbio e zona Oeste e comportam em média 350 pessoas. A programação cultural, a preços baixos, é escolhida a partir da necessidade e do desejo das comunidades onde estão instaladas. Vânia Bonelli faz um balanço positivo da sua gestão e aposta na continuidade da programação da secretaria durante o próximo governo municipal. Ela diz já ter se reunido várias vezes com o senador Artur da Távola, que assume a secretaria em janeiro. "Ele é um homem sensível, muito ligado a essa área. Não haverá problemas, ele vai encontrar uma secretaria bem estruturada".

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2000 | 18h16

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