Rio reúne Skármeta, Gelman e Elena

O romancista chileno Antonio Skármeta, o poeta argentino Juan Gelman e a escritora mexicana Elena Poniatowska são as presenças internacionais do 4.º Encontro Anual de Literatura Latino-Americana, que começa nessa terça-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio e na quarta-feira, no de Brasília, como evento paralelo ao Cinesul, iniciado na semana passada. De amanhã até quinta-feira, esses autores vão debater os processos de criação e as ideologias que orientam seus trabalhos e também os caminhos da literatura no continente. Do lado brasileiro, estarão participando o poeta Haroldo de Campos, Ledo Ivo e os romancistas Lya Luft e João Ubaldo Ribeiro."Desde 1998, realizamos esses encontros, cada ano enfocando um aspecto da produção literária. Este ano nos centramos nos autores, com o título de Grandes Mestres da Literatura Latino-Americana Contemporânea e chamamos alguns especialistas para mediar os debates", diz a curadora do evento a crítica e professora de literatura Suzana Vargas. O debate dos poetas será intermediado por Eric Nepomuceno (que acaba de traduzir uma antologia de Juan Gelman intitulada O Amor Que Serena Termina?), o das escritoras terá a professora Bella Josef e o dos escritores, Ari Roitman.Ao lado de Skármeta (autor do romance O Carteiro e o Poeta, cuja adaptação, para cinema foi sucesso de bilheteria), Juan Gelman é a grande atração do encontro. Praticamente inédito no Brasil, sua primeira antologia acaba de sair pela editora Record e ele volta ao País depois de 25 anos de ausência. "Saí da Argentina por motivos políticos em 1975 e só voltei em 1988. Esta viagem é afetiva porque tenho parentes queridos aí e gosto imensamente do Brasil", disse o poeta por telefone, da Cidade do México, onde mora desde o início dos anos 90. "Depois de 25 anos sem ir aí, estou curioso para saber como está o País e também como receberão meu trabalho."Gelman só teve seus poemas traduzidos em Portugal, mas considera a língua de lá outra, diferente da falada aqui. "É o mesmo que comparar o castelhano da América Latina e o da Espanha. São diferentes, com significados e sentimentos diversos", observa o poeta. Ele, no entanto, conhece bem seus colegas brasileiros e cita, sem pensar muito, Drumond, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Haroldo e Augusto de Campos. "Conheço também a música de vocês e creio que compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso e Vinícius de Moraes deram grande contribuição à poesia latino-americana. Chico, então, é o primo interpares."O elogio é recíproco e pode soar como agradecimento pelo empenho do compositor na divulgação da obra de Gelman. A iniciativa de traduzir e publicar 50 poemas em uma antologia partiu de Eric Nepomuceno, amigo pessoal do poeta há mais de 20 anos. Porém, feita a tradução, Nepomuceno submeteu o trabalho à revisão de Chico Buarque, amigo comum aos dois. Ele explica que escolheu os poemas de Gelman em função de seu gosto pessoal, mas acredita que conseguiu dar uma panorâmica da obra, pois há desde os primeiros versos aos mais recentes."Hoje, ele é um dos maiores poetas da América Latina e, certamente, está entre os dez melhores do mundo", diz o tradutor. Quanto ao encontro com Haroldo de Campos, no Rio, e com Ledo Ivo, em Brasília, o próprio Nepomuceno aguarda com surpresa. "Os dois se conhecem, mas a única coisa que têm em comum é o fato de publicarem palavras impressas em papel. Suas poesias são muito distintas e minha parte será apenas apresentar Gelman ao público, já que Campos e Ivo não precisam disso, já são bastante conhecidos."

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