Rio Preto aposta no singular

Mostra, que começa amanhã, rejeita espetáculos consagrados e valoriza experimentos de linguagem

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2010 | 00h00

Nova poética. Espetáculo do norte-americano Richard Maxwell utiliza linguagem singular  

 

Foi assim em Curitiba, em Londrina e o formato deve se repetir nos festivais de artes cênicas que ainda estão por vir. Durante alguns dias ou semanas, o público tem a oportunidade de assistir a uma seleção do "melhor" da cena nacional, uma espécie de vitrine do teatro, em que passam em desfile nossos espetáculos de maior êxito e destaque.

Mas não deve ser essa a tônica do FIT - Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto. Ao menos, não é esse o caminho que o diretor Roberto Alvim, um dos curadores desta edição, diz ter trilhado.

No evento, que começa amanhã e se estende até o dia 24, a ideia é colocar-se na contramão dessa corrente e rejeitar o lugar de compêndio de sucessos. "O festival não será uma vitrine do melhor. Não nos pautamos pelo critério da qualidade", pontua Alvim. "Nosso tema é a conquista da singularidade. Buscamos obras que não se utilizem de linguagens hegemônicas, reconhecíveis, mas que consigam construir modelos originais, uma nova sensibilidade."

A proposta de valorizar estéticas singulares parece sublinhar um perfil que o festival já desenhava. Em sua décima edição internacional, a mostra tradicionalmente prioriza grupos de pesquisa voltados a experimentações cênicas e dramatúrgicas. Neste ano, a programação, promovida pela prefeitura local e pelo Sesc, elegeu 33 trabalhos de coletivos nacionais e seis montagens estrangeiras.

Première. Ao contrário do que costuma ocorrer, um espetáculo brasileiro foi escolhido para a noite de abertura. Os cariocas da Armazém Companhia de Teatro encenam Antes, peça concebida especialmente para o FIT e que deve fazer uma única apresentação. Outra estreia prevista para o evento é a de Marcha para Zenturo, criação coletiva dos grupos XIX de Teatro e Espanca!

Na ala internacional deve chamar atenção a proposta do canadense Denis Marleau, Os Cegos, com uma linguagem que combina instalação artística e performance. Dos Estados Unidos, vem a New York City Players, companhia do dramaturgo e diretor Richard Maxwell, que traz Ode ao Homem Que se Ajoelha, uma subversão do gênero musical.

"Reunimos uma amostra do que de mais ousado e radical existe no panorama internacional. Bob Wilson e Peter Brook foram vanguarda há 20 anos. Estamos falando de gente que desenvolve trabalhos originais hoje", comenta Alvim, que deve permanecer na equipe de seleção - formada pela jornalista Gabriela Mellão e por dois representantes do Sesc - até 2012. Segundo ele, a existência de um projeto curatorial de três anos deve legar uma herança ao festival. "É necessário algum tempo de permanência para que se deixe um lastro. A lógica não deve ser a de um evento cultural, para rápido consumo, mas a da construção de um pensamento em arte."

 

 

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Os Cegos

O espetáculo do diretor canadense Denis Marleau assume a influência das artes visuais

Las Julietas

Montagem da uruguaia Marianella Morena descontextualiza Romeu e Julieta

Guerra Cega

Apesar da repercussão limitada em SP, montagem do coletivo Bruto tem destaque

Otro

Novo trabalho do diretor Enrique Diaz chega ao FIT em versão diferente da apresentada no Rio

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