Rio presta tributo a Tomie Ohtake

Tomie Ohtake ganha sua primeira exposição retrospectiva no Rio a partir de hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ricardo Ohtake, filho da artista plástica japonesa, é o curador da mostra, que tem 62 obras, abrangendo desde a primeira fase, figurativa, até os trabalhos atuais. Além das quatro salas dedicadas a Tomie no CCBB, o Museu de Arte Moderna exibe uma escultura móvel em seus pilotis, ocupando 500 metros quadrados de área aberta.Ricardo encara a retrospectiva no Rio como uma prévia do Instituto Tomie Ohtake, que vai dirigir no ano que vem, quando a instituição for inaugurada em São Paulo. Ele planeja fazer uma retrospectiva do trabalho da mãe ainda maior, com 20% a mais de peças que as 62 mostradas no Rio de Janeiro. "Em São Paulo vamos expor fotos suas obras de espaço público, o que optamos por não fazer aqui", diz.É sabido que Tomie Ohtake é uma das artistas que mais fez obras sob encomenda para espaços públicos, como praças, ruas e parques. "Mas não trouxemos as fotos das obras públicas porque sendo esta a primeira grande exposição da Tomie no Rio, achamos melhor fazê-la linear, sem essa parte de documentação", afirma Ricardo, lembrando que incluiu no catálogo da exposição 20 gravuras representativas das incursões de Tomie Ohtake por esta técnica.Também se sabe que a artista japonesa que reconhece o Brasil como casa é versátil. Faz esculturas, pinturas, gravuras, instalações. "Ela não pára de trabalhar", faz questão de dizer Ricardo, que assim justifica o fato de Tomie não dar muita importância para mostras sobre seu trabalho. Mas é numa retrospectiva, algo mais que uma exposição, que Ricardo trabalha neste momento. "A instalação está representada pela escultura móvel no MAM", ele afirma."Trata-se de uma estrutura de 12 peças circulares de tamanho grande que pegarão o vento beira-mar e balançarão, lembrando um mar revolto", diz o curador. A peça, assim como a exposição do CCBB, será exposta até dia 21 de janeiro do ano 2001.Organizar o trabalho vasto e variado da mãe artista não representa dificuldade para Ricardo. Para uma artista de formas limpas, que busca a síntese e a concisão através da redução dos elementos, talvez fosse mais fácil expor menos peças, limpar o cenário. "Não", diz Ricardo, "isto é facílimo". Para ele, quanto mais melhor. "Em 1985 fizemos uma mostra dela com 150 obras e hoje vejo que gostaria de incluir ainda mais peças". Ficou em 62, mais a megaescultura no MAM. "Ela tem variedade o suficiente para não enjoar", brinca Ricardo.Variedade que ele revela existir nas preferência artísticas da mãe. Se fosse catalogar artistas para uma exposição dos preferidos de Tomie, Ricardo não hesitaria: "Alfredo Volpi em primeiro lugar, mas também Amilcar de Castro, Carmela Gross, Maria Leontina e vários outros muito importantes, que a gente esquece quando recebe uma pergunta dessas", diz.Mas não se pense que Ricardo apenas serve ao trabalho de Tomie. Ele também o enriquece com saudáveis confrontações. Para o catálogo da mostra, que tem texto inédito do crítico e diretor do MoMA de Nova York Paulo Herkenhoff, ele subverteu os valores de Tomie Ohtake e fez uma capa sobrepondo duas imagens de suas obras. "A imagem gráfica da mostra é de uma obra em cima de outra, isso dá uma aura barroca a despeito da exposição não ter nada de barroca. Assim a gente quebra um pouco a limpeza dela", brinca.Retrospectiva Tomie Ohtake - Centro Cultural Banco do Brasil. Rua 1º de março 66, Centro. Tel: 3808-2025. De terça a domingo, das 12h às 20h. Entrada franca.

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