Rio pode ganhar mais um centro cultural

O ator Leonardo Franco acalenta há 18 anos o sonho de fundar o próprio centro cultural. Nos últimos 15, economizou religiosamente 25% de tudo o que recebeu e o resultado começa a se concretizar agora: comprou um casarão em Botafogo, na zona sul, e tem no bolso R$ 200 mil para iniciar as reformas do que virá a ser o Centro Cultural Solar de Botafogo. Faltam ainda R$ 800 mil que ele e a atriz Cláudia Lira - sua parceira no projeto e com quem se casa no mês que vem - pretendem captar na iniciativa privada.Franco e Cláudia querem transformar o casarão de dois andares construído em 1910 num complexo cultural de três pavimentos. O projeto do cenógrafo J.C. Serroni prevê uma livraria, café, e um espaço para cerca de 50 pessoas que poderá se alternar entre galeria de arte, palco para recitais de poesia ou apresentação de músicos.Ao fundo ficarão dois camarins instalados sob o palco e, num anexo, o urdimento - área em que os cenários das peças ficam pendurados. Também haverá uma sala de ensaio do mesmo tamanho do palco, onde Franco pretende dar cursos livres de teatro. O segundo andar ficou reservado para o palco e uma platéia de cerca de 120 lugares. No último pavimento, mais 80 cadeiras.O casal decidiu restaurar a fachada do casarão e foi de um detalhe da arquitetura que surgiu a idéia para a logomarca do Solar de Botafogo. A parte interna será toda "descascada" para deixar os antigos tijolos à mostra.As obras começam em janeiro, mesmo que todo o dinheiro necessário para as reformas ainda não tenha sido captado. "Passei por momentos difíceis e é complicado, às vezes, guardar 25% do que se ganha quando o dinheiro mal dá para as contas. Mas o investidor sabe que é raro alguém aparecer com um projeto tendo a casa comprada e um quinto do dinheiro necessário para o projeto", diz Franco.O ator sabe que a Lei Rouanet não contempla com incentivos fiscais empresas que investem em projetos cujos imóveis pertençam a particulares - e não a fundações. Mas Franco e Cláudia Lira oferecem outras opções de retorno a quem se interessar em patrocinar o Solar de Botafogo. A empresa, por exemplo, pode associar seu nome ao do centro cultural e batizar o teatro da casa ou a galeria.Eles também pretendem terceirizar serviços como o de cafeteria, livraria e videoclube. Os apaixonados pela arte também podem contribuir com o centro cultural. Serão os Amigos do Solar, que terão direito a descontos especiais, convites gratuitos, camisetas e assinatura da programação em troca de uma doação mensal.

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