Rio Grande do Sul recebe novo centro cultural

A curiosa situação de estar no limite geográfico do País inspirou a programação de abertura do novo espaço dedicado às artes no Rio Grande do Sul, o Santander Cultural. Com a presença do ministro da Cultura, Francisco Weffort, e dos mais graduados executivos do banco espanhol, entre outros, a exposição de arte eletrônica Sem Fronteiras abre oficialmente, às 19h30 desta terça-feira, o novo centro, localizado em um suntuoso edifício do início do século passado, de estilo neoclássico francês, que foi completamente reformado."Com seu novo formato, o Santander Cultural junta-se à Pinacoteca do Estado e ao Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), ambos em São Paulo, como exemplos de excelência para abrigar exposições internacionais", acredita o arquiteto Roberto Loeb, um dos responsáveis pela concepção da reforma. "O trabalho permitiu que o espaço, onde funcionava uma agência bancária, ganhasse um sistema de climatização e umidificação, segurança, iluminação, além de dependências originais, como a sala de cinema, no sub-solo, montada onde antes funcionava um dos cofres do banco."O edifício, construído em 1927, ocupa uma área de 10 mil metros quadrados e estava quase que totalmente desfigurado - durante o processo de reforma, o piso, as paredes e o teto sofreram uma investigação cirúrgica, sendo cuidadosamente raspados até se chegar ao desenho original. Escadas foram descobertas quando paredes foram derrubadas. E no átrio, onde antes existia o poço de iluminação, a mudança foi completa: além da desmontagem das construções antigas, foi instalado um piso de vidro, capaz de sustentar até 500 quilos e que será utilizado nas cerimônias internas do banco. O vidro permite também a passagem da luz natural, o que possibilita observar o vitral, instalado logo abaixo."Ao final, recolhemos cerca de mil caçambas carregadas de entulho", comenta Loeb, que manteve contato constante com representantes do patrimônio histórico, atentos a evitar qualquer alteração no projeto inicial. Assim, o telhado continua com as 33 mil telhas originais, que só foram retiradas para uma lavagem. "Fizemos um restauro e uma reciclagem sem ferir sua arquitetura."O cuidado exibiu um investimento pesado do Santander, que aplicou R$ 12 milhões só para a reforma - a manutenção da programação exigirá uma outra quantia ainda não divulgada. "Nos dois casos, foram utilizados recursos próprios", comenta o vice-presidente do banco, Antônio Rubens de Oliveira Neto. "O banco preferiu não utilizar nenhuma das leis de incentivo por ser uma instituição financeira com forte preocupação cultural."Como a finalidade da reforma era contemplar o antigo e o contemporâneo, a programação que inaugura o Santander Cultural aponta para expressões modernas. Sem Fronteiras é o tema da abertura, que inspirou os trabalhos de artes visuais, música, cinema e seminários literários. "O conceito elaborado pela curadora das artes visuais, Angélica de Moraes, acabou pautando as outras áreas, pois unifica a tendência que o Santander Cultural deverá seguir", comenta Yacoff Sarkovas, da Articultura Comunicação, empresa contratada para definir os critérios de programação e suas áreas de atuação. "Um dos principais objetivos será constextualizar e projetar a arte gaúcha no cenário nacional e internacional."Arte eletrônica - Artistas sulistas (Ronaldo Kiel e Vera Chaves Barcellos), portanto, estão na exposição de arte eletrônica, organizada por Angélica, que conta ainda com trabalhos do catalão Antoni Abad, a suíça Pipilotti Rist, o paulistano José Wagner Garcia e o mineiro Eder Santos. "O cinema é a fonte de inspirados de todos eles, o que rompe outra fronteira ao interagir com a tecnologia", observa a curadora.No cinema, a proposta é exibir as produções mais expressivas de países distintos, tanto da Europa e Ásia como os filmes independentes americanos. Para isso, a curadora Luciana Tomasi firmou um acordo com a distribuidora Mais Filmes para a seleção das obras. "Escolheremos fitas de assuntos diversos que não tenham um tratamento hermético", conta Luciana, diretora da Casa de Cinema, importante produtora gaúcha.Já a programação musical de abertura do Santander Cultural, elaborada pelo jornalista e crítico Juarez Fonseca, vai reunir artistas cujos gêneros e estilos musicais aparentemente não têm nada em comum, o que pode resultar em uma agradável surpresa. É o caso do paraibano Chico César e do gaúcho Vitor Ramil.E, na literatura, o escritor e professor Luís Augusto Fischer organizou encontros com intelectuais que vão oferecer um painel da atualidade, com olhos voltados também para a fronteira seus dramas e as possibilidades de ultrapassá-la. (Repórter viajou a convite do Banco Santander)

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