Robert Doisneau/ Divulgação
Robert Doisneau/ Divulgação

Rio ganha exposição do fotógrafo Robert Doisneau

Cidade é uma das que, com mostras, festejam o artista das esquinas de Paris no ano de seu centenário

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2012 | 03h09

 

Quem de nós, estando em Paris, já não teve de conter o ímpeto de voltar para seu país carregado de imagens da cidade para adornar a casa? Uma bela parte das cenas cotidianas em ângulos e preto e branco fantásticos presentes no imaginário dos visitantes é de autoria de Robert Doisneau.

 

Em seu centenário, o fotógrafo, nascido no subúrbio parisiense e também um descobridor da grande cidade e sua gente - "as maravilhas da vida cotidiana são emocionantes", dizia, sem distinguir pobres e ricos - , está sendo celebrado numa exposição vasta, gratuita e longa (vai até 17 de junho) trazida pela Aliança Francesa. O cenário é o Centro Cultural da Justiça Federal, localizado num prédio de inspiração francesa do centro do Rio. Não há previsão de ida a São Paulo.

 

Doisneau trabalhava principalmente por encomenda - era requisitado especialmente no pós-guerra por revistas como Life, Vogue e Paris Match, e, antes disso, foi fotógrafo de cartões-postais e de empresas como a Renault. Aproveitava momentos fugidios para "fazer o que realmente queria fazer", conta sua filha, Francine Deroudille.

 

"Ele tinha muita vontade de criar coisas além das encomendas. Era como se trabalhasse numa autopista, mas encontrasse pequenos desvios na estrada", compara ela, que, com a irmã, Annete, passou a cuidar de seu legado depois de sua morte, em 1994.

 

Um conjunto de 152 registros dos dois caminhos estão em Simplesmente Doisneau, assim como em exposições em Tóquio, Stavelot, na Bélgica, Almaty, no Casaquistão, e em Paris - a média de visitação na mostra aberta no mês passado, na prefeitura, focada na série em Les Halles, o grande mercado de abastecimento, é de 2 mil pessoas por dia.

 

As escolhas do que veio ao CCJF foram feitas por Agnès de Gouvion Saint-Cyr, especialista em fotografia do Ministério da Cultura francês. Além das fotos, será exibido o documentário Robert Doisneau: Tout Simplement, de Patrick Jeudy. "Ele se tornou um ícone nos últimos dez anos de vida; nas décadas de 70 e 80 era difícil viver de fotografia", lembra Agnès.

 

Publicado em mais de 20 livros, o Doisneau dos anos 30, 40, 50 e 60, das celebridades, como Georges Braque e o Picasso das mãos de pão, das cenas de cidade, influenciado por Cartier- Bresson e Eugène Atget, das imagens do Louvre e de crianças, das sessões posadas, como a de 1950, para a Life, de O Beijo do Hotel de Ville, estão representados.

 

O clique do jovem casal de aspirantes a atores se tornou icônico nos anos 80. Virou milhões de pôsteres, postais e toda sorte de quinquilharia para turistas. Não lhe trouxe só a glória: Doisneau chegou a ser acusado de farsante, pela foto supostamente espontânea, embora sempre tenha revelado sua origem, segundo a filha, e enfrentou a ganância da moça, que, muitos anos depois, pediu (e perdeu) na Justiça reparação pelo uso de sua imagem.

 

Ele preferia que a foto não sobressaísse entre seus 450 mil negativos. "Dizia que era seu Angelus (de Millet), mas queria que ela retomasse seu lugar. Considerava-se um artesão", diz a filha.

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