Rio ganha espaço para preservação de filmes

Ministra inaugura Reserva Técnica e Preservação do Centro Técnico Audiovisual

Roberta Pennafort/RIO, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 18h28

O Rio ganhou de volta um espaço para guarda e preservação de filmes feitos por cineastas da cidade, que é a capital da produção audiovisual do Brasil. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, inaugurou a Reserva Técnica e Preservação do Centro Técnico Audiovisual, vinculada à Secretaria do Audiovisual, um projeto de dez anos emperrado pela burocracia que sai agora com capacidade para armazenamento de cem mil latas de filmes. Por falta de local para acondicioná-lo, com o fechamento do depósito da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio, há doze anos, o material estava até então na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A obra custou R$ 5 milhões e foi tocada com patrocínio da Petrobrás, por meio da Lei Rouanet, e em parceria com a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, de Minas Gerais. Um prédio de dois andares voltado especialmente à preservação foi construído no terreno do Centro Técnico Audiovisual, em Benfica, na zona norte do Rio. Entre os primeiros títulos que virão estão os do acervo do pioneiro Humberto Mauro (1897-1983) e as chanchadas da Cinédia, estas guardadas por Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga (1901-1978), fundador da produtora.

Os espaços de guarda são mantidos em dez graus celsius. Os objetivos do CTAv são não só a conservação, mas também a difusão, com a abertura do arquivo para pesquisas, e a produção, com cursos e empréstimo de equipamentos para realizadores independentes de filmes de baixo orçamento, além da cessão de estúdios para mixagem de som.

A reserva tem o tamanho do antigo depósito da Cinemateca do MAM, que foi fechado por falta de recursos do museu. Na ocasião, 48 mil latas, incluindo filmes de instituições federais, como o Exército, do Canal 100, da Atlântida e de cineastas atuantes nos anos 60 estavam sob risco de se perder, por falta de condições de acondicionamento. Esperava-se que o espaço reabriria em poucos meses, mas isso só está acontecendo agora.

A ministra disse que a preservação do audiovisual brasileiro é "prioridade do MinC" e informou que se estima que existam 1 milhão de latas de filmes espalhadas pelo Brasil, estando 650 mil à espera de cuidados. O secretário do Audiovisual, Leopoldo Nunes, disse que a ideia é se ter dez centros como o do Rio em diferentes pontos do País.

 

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