Rio ganha centro cultural nordestino

Foi inaugurado hoje, no Rio, o primeiro Centro Cultural Nordestino do Estado, em Jacarepaguá, na zona oeste. A casa, que lembra a sede de uma fazenda dos "coronéis" foi erguida no terreno da Feira Brasil Coisas do Nordeste, que desde dezembro do ano passado recebe bandas de forró e tem barracas de comidas típicas.O centro mantém uma exposição permanente de peçasartesanais. São réplicas das miniaturas em barro do Mestre Vitalino, carrancas, roupas do cangaço, as típicas cachaças com nomes obcenos e literatura de cordel. Entre as peças, umararidade: a escultura do casal Lampião e Maria Bonita em tamanho natural. "Só tem duas dessas. Uma está em São Paulo, a outra aqui, e o artista desistiu de fazer mais", afirmou o capitão daPolícia Militar Queiroz Epaminondas Júnior, idealizador do centro. Depois de "chorar" um pouquinho, o capitão conseguiu comprar as peças por R$ 5 mil.Queiroz é carioca de Bangu, na zona oeste, mas a paixão pelo Nordeste começou na infância. O pai era técnico têxtil da Fábrica Bangu e viajava muito por aquela região. Acabou despertando no menino a curiosidade pelo sertão. Já adulto,Queiroz pediu desligamento da Polícia Militar e durante três meses percorreu a maioria dos Estados nordestinos. Trouxe de lá R$ 20 mil em artesanato.O Centro Cultural foi erguido e decorado em menos de um mês. O projeto é da designer Mirtis Moraes, que planejou a casa, os móveis - cristaleiras e escrivaninhas rústicas - e decorou o ambiente. Ela ornamentou o teto com redes de pesca, lembrando um galpão de pescadores, e recriou uma barraquinha de artesanatos. Há também peças que contam a história de Antônio Conselheiro,Padre Cícero, e Zumbi.O historiador e geógrafo João Timbó fez o levantamento histórico dos nove Estados nordestinos - Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Maranhão, Alagoas e Piauí. Ele traça um panorama desde a ocupação, a partir de 1500, por expedições oficiais portuguesas ou invasões à atual situaçãoda região, que reúne as 150 cidades com maior taxa de desnutrição do País, segundo dados da Unicef, citados no trabalho do professor. Todo o material estará disponível em livros para consulta de alunos e visitantes. O centro culturalfica na Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes, sem número, em Jacarepaguá. O telefone para contato é (21) 2431-3031.

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