Rio faz festa para melhores do teatro

A entrega do prêmio da Associação deProdutores Teatrais do Rio de Janeiro (APTR), que leva o nome dapatrocinadora, a Eletrobrás, foi a festa de fim de ano dacategoria. Atores, diretores, produtores e todo o povo que viveda cena lotaram os salões do Copacabana Palace, na noite de segunda-feira,para conhecer os melhores e dançar até de madrugada ao som daOrquestra Tabajara de Severino Araújo. O quadro emblemático foiquando três divas dos palcos, telinhas e telonas brasileiras, sereuniram para a foto oficial: Marília Pêra, com seu troféu demelhor atriz, Marieta Severo (produtora de O Púcaro Búlgaro,que levou os três principais prêmios) e Renata Sorrah,mestre-de-cerimônias com Marco Nanini. Além destas, Tônia Carrero, Nathalia Timberg, Ruth deSouza e Laura Cardoso salpicavam a platéia que usava o trajepasseio completo solicitado no convite, mas caprichou nomodelito. A cerimônia, com direção de Flávio Marinho, durou umahora e primou pela simpatia. Genial a homenagem a medalhões doteatro chamados para entregar o troféu aos premiados de suasespecialidades. Assim, Jorginho de Carvalho (luz), KalmaMurtinho (figurino), Marcos Flaksman (cenografia), Amir Haddad(direção), João Falcão (direção) Ítalo Rossi (ator) e MarietaSevero (atriz) se sucederam no palco. Para o prêmio de melhor espetáculo, o presidente daEletrobrás, Aloísio Vasconcellos, fez um discurso apaixonado nadefesa da empresa e da opção pelo teatro e prometeu devolver àcidade, uma de suas salas tradicionais, o Dulcina, que fica naCinelândia, centro da cidade. O contrato de cessão à prefeiturado Rio termina por estes dias e o governo federal tem planos dereformá-lo e trazer de volta seus tempos áureos. Fazendo média,Vasconcellos chamou também ao palco o ministro das Minas eEnergia, Silas Rondeau, e ambos entregaram o prêmio a MarietaSevero, dona (com Andréia Beltrão) do Teatro Poeira, queproduziu O Púcaro Búlgaro. O júri, formado por pesquisadores e jornalistasespecializados em teatro, conseguiu agradar a gregos e troianos,pois cada indicado era aplaudido ao simples enunciado de seunome. Houve situações comoventes, como de Kalma Murtinho, quelevou o prêmio para casa, porque a melhor figurinista foi suafilha. Outras escolhas foram óbvias, como a de Marília Pêra comomelhor atriz. O Eletrobrás é mais um prêmio em sua carreira (sócom Chanel ela levou o da Associação Paulista dos Críticos deArte e o Golfinho de Ouro, do Estado do Rio), mas sua presençana festa endossa a iniciativa da APTR e da estatal. Mesmo assim,ela deu um show de modéstia. "Cheguei nervosa porque, seganhasse, ia ter de subir no palco. Se fosse outra colega, iaficar feliz também, mas um pouco frustrada, é claro", disseMarília. "Prêmios incentivam o ator porque nosso ofício é muitoárduo."Gilrray Coutinho concordava com Marília até porque o prêmio porO Púcaro Búlgaro expõe sua cara para quem não costuma freqüentarsalas de teatro. Já a dramaturga Daniela Pereira de Carvalholevou um susto com sua premiação, embora estivesse indicada duasvezes (também por Renato Russo). "Muito obrigada aos atores ediretores por acreditarem no meu texto", disse ela. Os premiados Peça: Púcaro Búlgaro Atriz: Marília Pêra (Mademoiselle Chanel) Ator: Gillrray Coutinho (O Púcaro Búlgaro) Autor: Daniela Pereira de Carvalho, pelo texto "Não Existem Níveis Seguros para Consumo Destas Substâncias"; Diretor: Aderbal Freire-Filho (O Púcaro Búlgaro) Cenário: Paulo Moraes e Carla Berri (Toda Nudez SeráCastigada) Figurino: Rita Murtinho (Toda Nudez SeráCastigada) Iluminação: Maneco Quindaré (Toda Nudez SeráCastigada) Prêmio especial: Hélio Eichbauer, por seus 40 anos de carreira

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