Vantoen Pereira Jr/Divulgação
Vantoen Pereira Jr/Divulgação

Rio estende tapete Vermelho para Jabor

O seu filme A Suprema Felicidade abre mostra que recebe 300 títulos

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

No Cine Odeon BR, encravado na Cinelândia carioca - um local outrora cheio de cinemas, mas eles foram substituídos por templos evangélicos e quetais -, o Festival do Rio estende hoje seu tapete vermelho para recepcionar Arnaldo Jabor e sua equipe. A Suprema Felicidade, que assinala o retorno do diretor ao cinema, após quase duas décadas dedicadas ao jornalismo, inaugura hoje o evento que rola, a partir de amanhã, para o público.

Até dia 7, serão mais de 300 títulos, em cerca de 30 locais de exibição. O Jabor jornalista e colunista do Estado é polêmico, um crítico ácido do governo Lula. Este "veneno" - para alguns, muitos?, sua lucidez - ele não destila no cinema, ao se voltar para a própria infância e juventude, refletindo sobre um Rio um tanto mítico, num país meio de sonho. A Suprema Felicidade é belíssimo, não propriamente o Amarcord de Jabor - embora ele assuma a máxima felliniana de que a única objetividade possível é a subjetividade -, ou seja, não é "eu me lembro", mas "como" ele gostaria de se lembrar das coisas e pessoas. Um filme pessoal, não autobiográfico. Os cariocas descobrem primeiro Marco Nanini, que faz o avô, e Jayme Matarazzo, em quem o cineasta projeta os sonhos de sua geração.

Esta dupla vai dar o que falar - Nanini nunca esteve melhor, pode escrever aí. Jayme é uma revelação. O filme estreia no final de outubro, o Rio agora é só uma vitrine. Para os cinéfilos, a vitrine é também uma festa, um banquete cinematográfico dividido em várias seções (Culturas de Resistência, Panorama, Brasil do Outro, Expectativa, Filme Doc, Mundo Gay, Meio Ambiente, etc.). O Rio traz os vencedores de Cannes (Uncle Bonmee Who Can Recall His Past Lives, de Apichatpong Weerasethakul) e Veneza (Somewhere, de Sofia Coppola) e muitos outros filmes que os tietes estão loucos para ver

Ainda nem começou e alguns já estão com os ingressos esgotados. A venda começou sábado passado, pelo site do evento - www.festivaldorio.,com.br. Nem por isso faltarão atrações. Como todo ano, o festival coloca o foco sobre um país e este ano o escolhido foi a Argentina, que ganhou seu segundo Oscar (por O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella). Qual é o segredo, o mistério do cinema argentino? Histórias humanas, bem contadas? Roteiros sólidos, grandes atores? E o Brasil não tem disso?

Menina dos olhos da programação, a Première Brasil tem sido, nos últimos anos, a principal vitrine do cinema brasileiro. Olheiros internacionais - de Berlim, principalmente - vêm ao Rio garimpar títulos que poderão sair da competição da Première Brasil para os maiores eventos de cinema do mundo. Nem todos os filmes que concorrem ao Redentor, categorias ficção e documentário, são inéditos. O festival aceitou este ano inscrições de filmes já exibidos em Tiradentes (Elvis e Madona, de Marcelo Lafite) e Gramado (Diário de Uma Busca, de Flávia Castro). A ênfase, de qualquer maneira, está nos inéditos, que incluem títulos como Boca do Lixo, do paulista Flávio Frederico; O Senhor do Labirinto, surpreendente estreia de Ronaldo Motta; e Como Esquecer, de Malu Martino.

Três importantes autores ganham homenagens - o francês Bruno Dumont, o polonês Jerzy Skolimowski e o israelense Amos Gitai e os dois primeiros, além das retrospectivas de filmes, ministram master classes que valerá a pena seguir. Como convidados são sempre bem-vindos (para alegrar a mídia e os fãs), o durão norte-americano Michael Madsen vem mostrar Federais, de Erik Castro, e uma delegação de peso (Irène Jacob, Charlotte Rampling) faz as honras para Rio Sexy, que assinala a estreia de Jonathan Nossiter, o diretor de Mondovino, na ficção. O filme foi feito no Rio. Nada mais natural que sua première mundial ocorra lá. E, para um público mais específico, o RioMarket promove projeções e seminários com alguns dos maiores especialistas do mundo para debater mercado. Por falar nisso - um novo Avatar, com oito minutos a mais, integra as atrações do festival. Em 15 de outubro, Avatar (Reloaded) reestreia nos cinemas brasileiros.

PÉROLAS

Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives

O longa do tailandês Apichatponmg Weerasethakul, que ganhou a Palma de Ouro de Cannes em maio, vai ser uma surpresa até para os admiradores do autor de Mal dos Trópicos.

Tournée

Já que o festival começa com um filme que pode evocar Fellini (A Suprema Felicidade), que tal ver o longa de Mathieu Amalric com suas mulheres gordas, sexys e seminuas que parecem saídas de outro filme de Fellini?

Atração Perigosa

Ben Affleck volta à direção e confirma que seu primeiro longa autoral, O Preço da Verdade, não foi produto do acaso. Ele reinventa o filme de assalto a banco com narrativa densa e personasgens fortes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.