Rio escolhe árvore símbolo da cidade

A sapucaia, nome popular da Lecythes pisonis, árvore nativa da Mata Atlântica, foi escolhida símbolo do Estado do Rio de Janeiro, em eleição pela internet, promovida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e pelo Instituto Estadual de Florestas. A decisão deve ser ratificada pelo voto de alunos da rede pública. A planta, a que os índios chamavam de ïasapuka ("fruto que faz saltar o olho´, em tupi-guarani), obteve 171 dos 543 votos. A paineira ficou em segundo lugar (75 votos); seguida do guapuruvu (66); jequitibá-rosa (59); gameleira (55); mulungu (40); pau-ferro (39) e do cedro (38 votos). O resultado final sai em 21 de setembro, Dia da Árvore. O concurso atende a uma lei estadual de 1991, que determina que o Estado tenha uma árvore, uma flor e dois animais símbolos, mas devem ser espécies nativas da Mata Atlântica virgem da região. "Por isso fechamos em apenas oito árvores", explica a diretora de Desenvolvimento Florestal do IEF, Sabina Copagnane. "Há espécies mais comuns, mas são importadas de outros Estados ou países ou só existem na mata regenerada." O biólogo e pesquisador do Jardim Botânico do Rio, Luiz da Silva Giordano, acha que, por esse critério, o guapuruvu, que está entre as pré-selecionadas, deveria ficar de fora. "Existe aqui, mas é muito comum também no Nordeste", comenta. Para Giordano, a escolha se baseará em critérios pessoais, pois cada pessoa escolherá a árvore de que gosta mais. "No meu caso, fico com o jequitibá-rosa, pela exuberância, freqüência e importância econômica. Mas será difícil escolher a flor porque as mais conhecidas não são daqui. A maria-sem-vergonha, tão comum em nossa mata, veio da Europa. Entre frutíferas, as mais populares como mangueira e jaqueira também são importadas." O sambista Paulinho da Viola acha difícil uma só árvore simbolizar toda a flora fluminense, devido a sua diversidade e riqueza. "Já vi muitas árvores e, a não ser que seja uma preferência pessoal, nenhuma se destaca mais que as outras", diz ele, sem se lembrar de citar a jaqueira, símbolo da Portela, sua escola de samba. "Uma árvore pode muito bem representar o símbolo para um grupo determinado, mas não para outro." A colunista e agitadora cultural Scarlet Moon de Chevalier escolhe logo três, mas só duas da lista da Secretaria e do IEF. "Fico com a paineira, porque é comum na Floresta da Tijuca, onde há até uma área com esse nome, com a palmeira imperial porque é a imagem do nosso Jardim Botânico, trazida para o Rio por Dom João VI e com o pau-ferro, pela qualidade dos governantes que o Estado teve nos últimos anos", enumera Scarlet. Mal sabe ela que o pau-ferro é bem mais comum do que se imagina. É a árvore que faz sombra em pelo menos duas importantes vias cariocas, a Avenida Franklin Roossevelt, no centro, e a 28 de Setembro, principal rua de Vila Isabel, na zona norte. Sem saber da lista do concurso, o professor de dança de salão Carlinhos de Jesus é taxativo. "Fico com a palmeira, como as do Jardim Botânico e da Rua Paissandu, no Flamento, que ligam o Palácio Guanabara, sede do governo, à Praia", diz. Ao saber que existe uma pré-seleção, Jesus pensa melhor e concorda com Paulinho da Viola. "Uma só árvore é pouco para simbolizar o Rio."Temos muitas, todas bonitas." Segundo Sabina, a eleição vai além da escolha de mais um símbolo institucional. "Através desse concurso, conscientizamos os estudantes da importância da nossa flora", concliu. "Foi por isso que nos unimos à Secretaria de Educação para dar continuidade à disputa."

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