Rio comemora Dia do Samba com grande festa

Neste Sábado, o Rio comemora o Dia do Samba. As velhas guardas das escolas de samba são anfitriãs do "Pagode do Trem", criado especialmente para comemorar a data. O evento é um dos mais marcantes da cidade e chega a reunir cerca de oito mil pessoas. Saindo da Central do Brasil, um trem lotado leva compositores, cantores, artistas, repórteres e muita gente que aprecia o batuque, virando um grande pagode ambulante. O destino é a Estação de Oswaldo Cruz, reduto portelense, mas antes há uma parada obrigatória na Estação de Mangueira, para receber a velha guarda mangueirense e em Madureira, onde os bambas do Império Serrano tomam o trem.Cada vagão é animado por uma roda de samba tradicional, como a da Tia Doca, do bar Bip-Bip, do bar Candongueiro e da Tia Surica da Portela. Na chegada, a multidão de sambistas se reúne numa festa sem hora para acabar. Beth Carvalho é presença garantida. Como convidados especiais desse ano estão Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola. A concentração começa às 18h na Central.Em 1965, num simpósio que reuniu sambistas e estudiosos do assunto, foi oficialmente criado o Dia do Samba, por um decreto de âmbito estadual, como explica o pesquisador de música brasileira e compositor, Nei Lopes.Muito antes disso, na década de 20, Paulo da Portela já fazia um pagode no trem, fugindo da repressão policial que os sambistas sofriam na época. "No trem eles podiam ficar à vontade", conta o compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz. Foi Marquinhos quem retomou, em 1991, a idéia de usar a linha férrea como passarela do samba tradicional. Ele pretendia que o bairro de Oswaldo Cruz voltasse a ser o celeiro de bambas do tempo do nascimento da Portela. "Esse bairro tem uma importância histórica. O subúrbio do Rio tem uma história que ninguém se lembra de contar".Há cinco anos, Marquinhos de Oswaldo Cruz e outros amigos sambistas decidiram que a melhor data para o pagode seria o dia do samba. O evento começou modesto, cerca de 300 pessoas lotaram um vagão de um trem que saía da Central. Com o apoio da concessionária da linha férrea carioca, em 1998 eles conseguiram reservar uma composição exclusiva para o evento.Mas foi no ano passado que o pagode firmou-se como um resgate do samba tradicional. Inspirados na música de Cartola, Sala de Recepção, os sambistas decidiram que a Velha Guarda portelense receberia as co-irmãs em um clima de confraternização. "É o encontro dos sambistas. A gente não pode deixar o samba morrer. Ele agoniza, mas não morre", diz Tia Surica da Portela.Uma multidão de gente se aglomera nos vagões, ouvindo música, sambando, batucando e bebendo cerveja , embora a venda de bebida alcóolica seja proibida dentro do trem. Chegando em Oswaldo Cruz, as rodas de samba se encontram - a da Tia Doca é a mais antiga, com mais de 30 anos de existência- e o pagode toma conta da Estação. Barraquinhas vendem, além de cerveja, comidas das "Tias do samba". Rixa entre as escolas é assunto descartado: "A briga é na Marquês de Sapucaí. Saiu de lá, somos todos amigos", diz Tia Surica. E assim a festa segue, como numa letra de Marquinhos de Oswaldo Cruz: "Vai se embora quem tem hora marcada, pois o samba vai romper madrugada".Pagode do Trem - Sábado, concentração às 18h na Estação de Trem da Central do Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.