Rio acerta vinda do Guggenheim

Agora é definitivo. Ainda este mês, em torno do dia 20, o prefeito César Maia e o presidente da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, assinam os contratos para a instalação de uma unidade da instituição no Rio. As obras devem começar ainda no primeiro semestre, mas só ficarão prontas em 2006, quando a instituição entrará em funcionamento, associada também aos museus Hermitage, de São Petesrburgo, da Rússia, e Kunsthistoriches, de Viena (que tem a coleção dos Habsburgos).No último fim de semana, Krens esteve no Rio com o diretor da unidade da instituição em Bilbao, na Espanha, Juan Ignacio Vidarte, e os últimos detalhes dos contratos foram acordados. A vinda dos dois foi necessária porque houve divergências entre o que havia sido combinado verbalmente e o que estava escrito nos contratos, mas Krens minimizou o problema, explicando que foi uma questão da tradução entre o inglês e o português.A informação sobre os custos e os contratos é do prefeito César Maia, por e-mail, ao Estado. Segundo ele, o Guggenheim carioca custará R$ 500 milhões (ou US$ 138,8 milhões, ao câmbio de hoje) ao município, sendo que, dessa quantia, entre R$ 360 milhões e R$ 380 milhões vão para a construção do prédio projetado pelo arquiteto francês Jean Nouvel. O restante diz respeito a licenciamentos e devem ser pagos até 2007.Nouvel vai receber R$ 43 milhões pela execução de seu projeto e gerenciamento da obra, mas terá que deixar R$ 14 milhões com o escritório de arquitetura Engineering, de Franccisco Salles, que trabalhará associado a ele porque a lei brasileira não permite que profissionais estrangeiros assinem projetos aqui.Segundo o diretor da Egineering, Francisco Salles, Nouvel deve abrir um escritório aqui em sociedade com a empresa, mas os detalhes ainda estão em discussão. A Engineering, que tem sede no Rio, foi a responsável pela restauração do hotel Copacabana Palace, encomendada pela Orient Express, e construiu também as escadas rolantes e os elevadores do Corcovado,além de shoppings centers. O mais recente é o Parque dom Pedro, em Campinas.Afora o preço da construção, todas as outras cifras são em dólar. Maia não explicou como vai protegê-las das oscilações da moeda norte-americana, mas disse que os recursos que permitiram a instalação do Guggheim no Rio vieram de aplicações da Prefeitura em títulos federais que renderam R$ 1 bilhão e que todas as despesas em dólar do município estão protegidas contraoscilações de câmbio.O contrato prevê o acesso do Guggenheim brasileiro ao acervo das unidades espalhadas pela Europa e Estados Unidos e dos outros dois museus conveniados e também às exposições temporárias deles. Há um compromisso de comprar, por ano, US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,6 milhões) por ano em obras de arte brasileiras, dinheiro que virá também dos cofres municipais ou, caso aconteça, de doações de colecionadores.Discussões - A vinda do Guggnheim para o Rio é uma história que apaixona a cidade, contra ou a favor. O prefeito Cesar Maia decidiu por sua instalação em meados de 2001, quando a Fundação Guggenheim, manifestou interesse em vir para a América Latina. Na disputa com cidades brasileiras e com Buenos Aires, o Rio levou a melhor. Thomas Krens, que esteve aqui no fim de 2001 e no início de 2002, quando assinou um contrato para realização de um estudo de viabilidade, que custou US$ 2 milhões (R$ 7,2 milhões) à Prefeitura.A partir daí, o debate do tema tornou-se acalorado. Os detratores criticaram o alto custo do empreendimento face ao estado em que, os críticos diziam, se encontram os outros museus da cidade. À frente das reclamações, o presidente do Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna do Rio, o colecionador Gilberto Chateaubriand, e da diretora, Maria Regina Nascimento Brito, que na semana passada comparou o estado de penúria em que se encontra a instituição (que não tem onde conseguir R$ 3,7 milhões para seus projetos e R$ 2,8 milhões para obras emergenciais), enquanto um museu estrangeiro chega com um orçamento muito maior, pago pelo poder público.Quem defende o Guggenheim argumenta que ele será um forte atrativo turístico forte para a cidade, e aí a filial de Bilbao é citada como exemplo. Além disso, o museu seria a mola propulsora da zona portuária da cidade, pois o Guggenheim carioca será construído no Pier Mauá, que pertenceu ao estaleiro. Hoje, a área é praticamente deserta, pois lá só funcionam, em condições precárias, os barracões das escolas de samba, algumas repartições federais e grandes empresas privadas.

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