Rinko Kawauchi exibe diário visual sobre o Brasil

Museu também abre exposição da fotógrafa japonesa, com série feita especialmente para a ocasião

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h06

Em fevereiro de 2006, a fotógrafa japonesa Rinko Kawauchi esteve pela primeira vez no Brasil. Em São Paulo, foi conhecer o bairro da Liberdade, local que se transformou numa pequena cidade japonesa dentro da capital. Vendo as placas escritas em sua língua, as luminárias em formato bonbori, um portal (torii) em vermelho, que lhe pareceu assustador, sentiu ''''uma inexplicável estranheza'''': era como se estivesse em um ''''mundo paralelo'''', como ela afirma, que remeteu a memórias da infância, mas também a costumes que não existem mais no Japão. ''''Mas dizem que a fusão de culturas ocorre do encontro de elementos diferentes..., e, assim, me convenci'''', afirma Rinko. Se convenceu de que poderia realizar um trabalho mais amplo no Brasil do que o simples mote de ser uma japonesa que registraria a cultura japonesa aqui. Fez, assim, mais duas viagens para conhecer outros tantos pontos do País e poder dessa maneira realizar um trabalho muito particular, que agora poderá ser visto na mostra Semear, no MAM.Primeiramente, Rinko, depois de fazer em 2005 exposição na Fundação Cartier de Paris, foi convidada pelo MAM de São Paulo a realizar série especial de fotos sobre a presença japonesa no Brasil, já que em 2008 será comemorado o centenário da imigração japonesa em nosso território (no próximo ano, em maio, o MAM também vai realizar grande mostra na Oca, feita em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, por conta da data). Mas depois da primeira viagem, Rinko quis ver mais do Brasil: além de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio, Pará e Maranhão.Como se pode ver na mostra e no livro trilíngüe que a acompanha, feito em parceria com a editora japonesa Foil, Rinko fotografou o Brasil ''''no ritmo de quem faz anotações de viagem'''', como escreve o crítico e curador Eder Chiodetto. O que é estilo japonês se transformou mais numa pergunta (para a fotógrafa, para os retratados e para o espectador) do que um ponto de partida para o sensível trabalho. São imagens simples da natureza, de pessoas (não só da comunidade japonesa), do carnaval, por exemplo, feitas por meio de ''''um olhar nutrido por certa curiosidade infantil, atento ao detalhe aparentemente insignificante das coisas do mundo.'''' Juntas, as fotos fazem comentários irônicos, revelam sutilezas, falam de vida e morte.Também hoje o MAM inaugura outra edição do Projeto Parede com Espelho, de Marepe.

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