Rimas campeãs

O cantor de rap Mr. Armeng vence a primeira edição do reality musical Breakout Brasil e vai gravar um disco

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h13

Em vez de uma música pop ou rock, o próximo hit a estourar nas paradas pode ser um rap, se a tendência do momento for a mesma do reality Breakout Brasil, do canal pago Sony Spin, cujo vencedor, revelado na noite de ontem, foi Mr. Armeng. O rapper baiano passou por uma seleção de 4 mil inscritos - que desde o fim do ano passado disputavam um contrato com uma gravadora - e derrotou os quatro finalistas que participaram da fase da competição exibida pela TV desde março.

"Só achei que fosse ganhar depois de a gente se apresentar na final. Caiu a ficha quando fui anunciado. Não fiquei me preocupando. Na final, eu estava tranquilo", disse ao Estado. Dudu Marote, produtor musical de artistas como Skank e Jota Quest e jurado da atração, diz que foi difícil definir o campeão por causa dos estilos musicais distintos de cada banda ou cantor que chegou à última etapa. "Até a final, não tinha a menor ideia de quem ganharia. Cada um dos jurados tem uma formação, é muita gente opinando", avalia ele, que dividiu a votação com Anna Butler, ex-diretora de relações artísticas da MTV Brasil, Marcello Lobato, empresário de Marcelo D2 e Pitty, e André Pacheco, executivo da Sony Music.

Criado na Bahia, onde ainda mora, Mr. Armeng, 30 anos, garante que sempre houve espaço para sua música na terra do axé. "Sempre foi difícil fazer rap lá. Mas eu faço uma música com linguagem simples, com as nossas identidade e história", filosofa o artista que deixou um emprego antes de entrar para o reality. "Quando soube que ia para o programa, desmarquei três shows e larguei o trabalho de assistente de câmera em uma produtora que cobre ACM Neto (DEM/BA), prefeito de Salvador. O grande desafio foi largar a grana boa que eu estava recebendo", conta Mr. Armeng, também sócio de um estúdio que lança rapper na capital baiana. "Sempre acreditei no que faço. Já fui frentista, mas busquei trabalhar com a música. Porém, não dá para se manter com rap em Salvador."

Mesmo com experiência na música, ele contou com a sorte ao montar a banda que entraria para o Breakout Brasil. "O percussionista só tinha tocado comigo uma vez. O meu DJ não pôde ir e chamei outro que tocou comigo pela primeira vez. Pedi vibração positiva de todos os orixás, de Deus, de Buda, de Alá. Eu lembrei muito das dificuldades que tive para chegar lá, da falta de apoio e de dinheiro."

Em meio às crises da indústria fonográfica, Dudu Marote aposta que artistas iniciantes, como Mr. Armeng, ainda conseguem impulsionar a carreira com um contrato com uma empresa grande. "Com a música sempre foi imprevisível. Se há um ano você falasse que o maior sucesso seria um cara cantando em coreano (o cantor Psy), eu duvidaria. Hoje há uma pluralidade acontecendo. O Criolo, por exemplo, não toca nas rádios, mas é sucesso. Há várias formas de fazer sucesso", analisa o produtor.

Mr. Armeng participa hoje, às 15 h, de uma conversa com vídeo com internautas. Para falar com ele é preciso acessar a página do Sony Spin no Facebook ou no Google+. O reality é um formato criado para internet, na Inglaterra, mas foi produzido pela primeira vez na televisão em sua versão brasileira, que entrou na cota de programas da lei da TV paga.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.