Rihanna canta com Chris Brown em novo álbum

A distância entre vida e arte é curta na era da conexão. Discos ganham projeção por costurar face pública e narrativa pessoal; a sincronia almejada entre online e offline é turbinada em posts, tweets e álbuns feitos como espelhos de dramas pessoais. Talvez seja o único modo de humanizar a estética impessoal e robotizada do pop moderno, cuja interação com o público se dá, afinal, através de uma tela, e tem de competir com dezenas de outros estímulos simultâneos. De qualquer modo, protagonizar esta novela se tornou um malabarismo comum, e a manipulação do noticiário online é inseparável da estética pop contemporânea (vide o já clássico "My Beautiful Dark Twisted Fantasy", em que Kanye West transforma seu colossal ego em monumento pop).

AE, Agência Estado

03 de dezembro de 2012 | 10h49

Ou vide "Man Down", em que Rihanna levou um caso pessoal de violência doméstica ao topo das paradas, no ano retrasado. O incidente data de 2009, quando o cantor de r&b, Chris Brown lhe espancou brutalmente. Fotos de Rihanna com a cara estropiada vazaram, os dois continuaram juntos e o romance tornou-se a narrativa central da carreira da cantora ("Love the Way You Lie", seu popular dueto com Eminem, também se refere ao assunto, no videoclipe).

Desde então, Riri e Chris brigam e fazem as pazes regularmente (it?s complicated), e em "Unapologetic", o excelente novo disco da cantora, agora lançado, o tom do romance é todo azul. Os dois cantam juntos em "Nobody?s Business", faixa elegante de house com referências a Michael Jackson e smooth pop oitentista. O título ("Não é da conta de ninguém") dá o recado à mídia, em paralelo a fotos do casal se abraçando, postadas por Rihanna no Instagram, na semana de lançamento. Há baladas românticas, como a solene "Stay", em que Rihanna canta: "Curioso que você estava aos cacos, mas eu era quem precisava ser salva. Quando não vemos a luz, é difícil dizer qual dos dois está chegando ao fundo do poço". Ou como "Love Without Tragedy", que pergunta "o que é o amor sem a tragédia?", ou a bela "The Loveeeeee Song", sobre entrega e intimidade entre dois amantes.

Mas, embora as faíscas do casal tenham sido responsáveis pelo marketing e pelos momentos mais tenros do disco, "Unapologetic" indica um rompimento com a fase ferida de Rihanna. O tom é, como diz o título, sem remorso, e a precisão do discurso de Rihanna é afiada. Trata-se de uma síntese do que a cantora ensaiou nos últimos dois anos, com "Loud" e "Talk That Talk", discos que renderam uma impressionante coleção de number ones, mas não tinham, ao serem ouvidos por inteiro, a dinâmica envolvente de "Unapologetic" (coincidência, ou não, é o primeiro de Rihanna a alcançar o topo do Billboard).

A cantora que surge em "Unapologetic" é destemida e, curiosamente, menos maquiada do que estamos acostumados a ouvir. Das 15 faixas, as primeiras pagam as contas do disco. O single "Diamond", garante a atenção de fãs de bate-estaca popularesco, embora seja inferior a "We Found Love", seu onipresente hit de pista do passado. "Numb", dueto com Eminem, almeja algo como "Love The Way You Lie" parte 2. E "Jump" estraga uma finíssima construção com um refrão de dubstep (o gênero de graves grotescos que tanto agrada à molecada). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

RIHANNA - Unapologetic. Universal, R$ 29,90

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