Richman, o trovador do Rock

Richman, o trovador do Rock

Forte candidato na categoria show do ano ou pelo menos na de show mais inusitado, excêntrico e bizarro do ano, o Brasil recebe este mêsl, para três apresentações, o distinto senhor Jonathan Richman, de 58 anos, um dos principais trovadores do rock da história. O músico, seu canto falado, seu violão e seu amigo baterista Tommy vêm pela primeira vez ao País para quatro performances especialíssimas. A Jonathan Richman & Tommy Larkins Tour começa por São Paulo, dias 15 e 16, no Sesc Pompeia, e termina no dia seguinte no Rio, no Circo Voador.

Lúcio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2010 | 00h00

Um dos sujeitos mais underground do rock, quando o rock nem bem tinha um underground, Richman foi o líder nos anos 70 da espetacular The Modern Lovers, banda dos arredores de Boston e contemporânea de grupos mais famosos como Velvet Underground e Doors, começando inspirada pelas duas e acabando rapidamente inspirando as duas.

Exímio poeta do cotidiano ordinário, contador de histórias musicadas e colecionador de um fã-clube de notáveis como Lou Reed, David Bowie, Elvis Costello e Joe Strummer (Clash), ele não sabe o que vai fazer parte de seu repertório nos shows do Brasil: se são canções dos Modern Lovers ou de sua longa e errante carreira-solo.

"Não tenho ideia do que vou cantar. Não planejo minhas atuações", afirmou Richman em uma "carta aos fãs brasileiros", feita a pedido do Estado. Ele não gosta de dar entrevistas nem de conversar com o público, como adianta de modo simpático no bilhete, escrito como se fosse uma música dessas que canta, narrando uma história: "Se eu não falar com vocês depois do show, me entendam por favor. Não me levem a mal. Minhas frágeis cordas vocais, feridas anteriormente, num passado de fumaça e barulho, não podem falar nenhuma palavra depois de atuar."

Jonathan Richman está em carreira-solo desde que o Modern Lovers se desfez, em 1974, sem nem ainda ter lançado seu seminal primeiro álbum. A banda mesmo, a original, durou quatro anos, embora Richman tenha gasto um tempo montando outras formações e as batizando de Jonathan Richman and The Modern Lovers. De lá para cá o formato de seus shows acompanhou sempre sua excentricidade: ora era sozinho, ora seguido por uma banda montada no local do show, ora era acústico, ora ele só deitava falação diante do público. E muitas vezes ele não avisava a plateia previamente como ia ser.

Fama. O que ajudou a construir a fama da carreira bizarra de Richman foi que ele, fora do underground, acidentamente experimentou o "sucesso" e o mainstream em 1998, cantando em cima de uma árvore.

Loucos por sua obra, os irmãos cineastas Peter e Bobby Farelly colocaram o dono dos Modern Lovers na cena de abertura do blockbuster Quem Vai Ficar Com Mary?, que trouxe Cameron Diaz, Matt Dillon e Ben Stiller no elenco: Richman sentado num galho, um baterista minimalista em outro, cantando a música tema, composta especialmente por ele para o filme dos irmãos Farrelly.

Trilha. Além de compor outras músicas para a trilha do filme (There"s Something About Mary, no original), Richman foi uma espécie de personagem do filme, aparecendo como narrador da história e até mesmo levando um tiro no final, enquanto cantava.

Para quem vai ficar com Jonathan Richman no Brasil, parodiando o nome do filme dos Farelly e respondendo à pergunta do título desta página, os ingressos para seus shows estão à venda nas bilheterias do Sesc Pompeia (R$ 40 a inteira), em SP. No Rio, começam a ser vendidos na semana que vem no Circo Voador, com preço a definir. Lá, o músico ex-hermano Marcelo Camelo vai fazer a abertura. Se puder, em São Paulo ou no Rio, não perca a apresentação desse lendário senhor do rock. Jonathan Richman tem muita história para contar.

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