Ricardo II ganha versão nordestina

O universo de William Shakespeare transposto para o sertão nordestino. A saga de um rei inglês contada por sanfoneiros, montados em velhas carroças e empunhando máscaras de palhaço. É assim que o diretor Gabriel Villela e o grupo Clowns de Shakespeare criaram Sua Incelença, Ricardo III.

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2012 | 03h09

Depois de passar pelos mais importantes festivais de teatro do País, o aclamado espetáculo chega ao Sesc Belenzinho. Com uma abordagem que se desprende da obra original, Villela e a trupe potiguar conceberam uma montagem que se apropria de cantigas populares do baião e brinca com o rock britânico. Usa a linguagem proclamada do teatro de rua, faz referências ao cangaço e, sobretudo, pinta com cores cômicas o soturno e grave drama histórico.

A opção não resulta em desprezo pelo enredo clássico. "A nossa vontade foi sempre manter a história, trazer à cena a fábula", observa o encenador.

Mas a saga do sanguinário monarca é contada em tom irreverente. Tão irreverente quanto lírico. De tal maneira que é quase inevitável não evocar Romeu e Julieta: transposição do universo shakespeariano feita pelo diretor com o grupo Galpão. "São histórias diferentes, mas existe um investimento estético semelhante", acredita Villela. "Explora-se o caráter popular das duas peças, e as particularidades das culturas de cada um dos grupos: um de Minas e outro do Rio Grande do Norte." / M.E.M.

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