Ricardo Almeida comemora 25 anos de carreira com desfile

Paulo Sampaio - O Estado de S. Paulo,

07 Abril 2011 | 19h20

 

Roberto Justus diz no camarim do desfile de 25 anos da grife Ricardo Almeida, anteontem, no Masp, que vai usar smoking: “Todas as celebridades vão.”

 

E, como uma celebridade não pode desfilar descalça, Roberto Justus, que já chegou com uma camada substancial de pancake no rosto, segura um saquinho com um par de sapatos. “Se der para passar um paninho”, pede Justus à camareira.  Ele trouxe o próprio calçado, diz, porque não se econtram com facilidade do seu tamanho, 46.

 

Mil e duzentas pessoas foram convidadas para o desfile, que se realizou na galeria Clemente de Faria, no subsolo do museu. Será fácil conseguir um desfile no museu?

 

Veja também:

blog Blog de Moda: as roupas acabaram ficando em segundo plano

 

“Tenho um trabalho que já faz parte da história da cidade, assim como o próprio Masp”, explica o estilista. “É a mesma coisa: quando você compra uma roupa Chanel, ou Dior, compra a história da Coco Chanel, ou do Christian Dior.”

 

O camarim está repleto de galãs da Globo, todos cercados por repórteres, fotógrafos e cinegrafistas: entre outros, dão entrevistas Malvino Salvador, Paulo Vilhena, Márcio Garcia, Fiuk e Fábio Assunção - este  precisando de um retoque de tinta nos cabelos manchados (no alto) e branco (nas têmporas).

 

Eles respondem a questões como: “Que roupa não pode faltar em seu armário?” e “O que, no visual de em uma mulher, o incomoda?”

 

Gustavo Borges faz a expressão de quem ouviu a frase em grego.  A repórter percebe que ele não tem o que dizer e o ajuda: “Um óculos grande, uma calça saruel, o quê?”

 

A mulher de Gustavo, Bárbara, ri muito. “Ahahahaha. Ele não está nem aí  pra isso!”

 

Outras setoristas de festas falam do que pode render notícia.

 

“O Fábio disse que não é para chamar a mulher dele de namorada!”, diz uma, anotando em um bloquinho.

 

“O Fiuk negou que deu uns pegas na Mariana Ximenes. Disse que só estavam na mesma festa. E que ela é uma “mulher”. Nota.

 

Em uma escala de interesse da imprensa ali presente, em primeiro lugar estão os globais; em seguida, os de outra emissora (Gugu, Tom Cavalcante, Otávio Mesquita), em terceiro, as celebridades (além de Justus, representam esse seguimento Eduardo Guedes e Álvaro Garnero); e, por fim, os “esquecidos”, como Taumaturgo Ferreira, Lulu Santos e Latino.

 

Uma moça loira com os cabelos longos e anelados nas pontas, e um microfone nas mão, pergunta ao cabeleireiro Wanderley Nunes o que está se usando.

 

“O cabelo agora é o de uma mulher descolada, com cara de bem nascida, rica. Acabou essa coisa trash de cabelo amassado”, completa, com expressão de desprezo.

 

Costanza Pascolato aparece no mezanino para ler uma homenagem: “Para quem não me conhece, eu sou Costanza Pascolato”, começa ela, e em seguida lê num papel. Já que está no Museu de Arte Moderna de São Paulo, conta uma historinha. Diz que Ricardo Almeida a salvou no dia do casamento da filha dela com Carlos Eduardo Waqrchvchik, da família do arquiteto modernista Warchavchik (o público começa a conversar), e que os dois moram em uma casa modernista, e isso ela não pode esquecer jamais. “Ele foi perfeito, resolveu o traje do meu genro em uma manhã”, lembra.

 

Ricardo agradece a ela e ao público. “É impossível falar de moda no Brasil sem falar em Costanza...” e por aí foi.

 

Hebe Camargo entra no camarim e pendura a bolsa no braço de uma moça que a acompanha, como se ela fosse um cabide. “Eu não sei desfilar”, vai logo dizendo a Ricardo, enquanto o abraça.  A tal moça, que depois se identifica como Helena Caio, namorada do sobrinho-assessor de Hebe, Claudio Pessutti, diz no ouvido de Ricardo que, se ele levar Hebe pelo braço, ela vai.

 

Não se pode dizer que a apresentadora resistiu muito. Entrou no final, com Ricardo, seguida do escrete global, foi até uma das pontas e falou, falou. A roupa do Ricardo é linda (“olha para isso, gente”, diz ela, comentando o traje de galã por galã). E fala, fala, fala. Num gesto cômico, Ney Latorraca, escondido entre os outros atores, pede paciência ao público.  Paulo Vilhena, que está atrás do bolo de galãs, olha para a multidão no mezanino e simula com as mãos o movimento de quem segura uma corda e escala uma montanha que o leva para longe dali. E Hebe falando.

Mais conteúdo sobre:
Ricardo Almeida

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.