"Revolução do Cinema Novo" ganha nova edição

A nova edição da obra testamento de Glauber Rocha, Revolução do Cinema Novo, será lançada hoje, a partir das 19 horas, no Espaço Unibanco de Cinema, quando também será exibido o filme Câncer. Quando finalizava A Idade da Terra, em 1980, Glauber mergulhou na edição do livro. Trata-se da reunião de artigos e antigas entrevistas cuidadosamente ordenados pelo cineasta, assim como reflexões e notas biográficas escritas naquele mesmo ano de 1980. "É o balanço de 20 anos de trajetória no cinema", comenta o professor e estudioso de cinema Ismail Xavier, autor da introdução e responsável pela coordenação da nova edição de Revolução do Cinema Novo, agora sob a chancela da CosacNaify (520 páginas, R$ 69). Hoje, Xavier vai debater o cinema novo e o cinema brasileiro contemporâneo ao lado do crítico e doutor em cinema Alfredo Manevy. Debate era uma das atividades preferidas de Glauber, embora aceitasse com dificuldade qualquer objeção à suas idéias: o cineasta disparou farpas contra amigos e inimigos, como se pode observar na segunda parte de Revolução do Cinema Novo, em que Glauber ataca Rogério Sganzerla, Julio Bressane e até Walter Lima Jr., assistente de direção em Deus e o Diabo na Terra do Sol e que era casado com sua irmã, a atriz Anecy Rocha."Ele pagou um alto preço, pois falava sobre tudo", comenta Xavier. "Mas, por outro lado, promoveu debates produtivos, como as discussões que manteve com Sganzerla." Apesar das curiosidades que ainda provocam essas diatribes, o ensaísta prefere se debruçar sobre a importância dos textos da primeira parte do livro, em que Glauber reuniu artigos publicados ao longo dos anos anteriores, além de entrevistas e debates. Estão aí textos fundamentais como os célebres Eztetyka da Fome (1965) e Eztetyka do Sonho (1971). É curioso comparar a obra que volta agora às livrarias com o Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, que Glauber escreveu quando iniciava a carreira (antes, por exemplo, de Deus e Diabo na Terra do Sol). "Ele faz um balanço histórico profundamente marcado pelo projeto cinematográfico que se iniciava. Já no Revolução, ele apresenta um balanço de um movimento que justamente naquela época, 1981, apontava para outra direção", comenta Xavier.Hoje, passados mais de 20 anos, Ismail Xavier acredita que o legado de Glauber, entre outros diversos fatores, seria a coesão. "Seu cinema permaneceu fiel à estética que ele tanto defendia e que ainda deveria ser motivo de estudo", afirma. No momento em que os cineastas debatem sobre a importância da criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), Xavier, que não se coloca como um porta-voz glauberiano, acredita ser necessária uma discussão estética. E nada mais útil que a visão contundente de Glauber Rocha.Revolução do Cinema Novo - De Glauber Rocha. Editora Cosac-Naify. 520 páginas. R$ 69. Espaço Unibanco de Cinema. Rua Augusta, 1.470, 287-5590. Lançamento hoje, a partir das 19 horas. Às 20 horas, exibição do longa Câncer, de Glauber Rocha.

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