Revista "Piauí" chega hoje às bancas do País

Piauí. Este é o nome da nova revista que chega às bancas do País nesta segunda-feira. Por que Piauí? Bem, ninguém sabe ao certo. Talvez porque fale com brasileiros que gostam de ler, pessoas que buscam um texto por inteiro, com começo meio e fim. Textos que façam sentido, que não tenham de se adequar à ditadura dos espaços. Textos que falem de pessoas para pessoas. Os assuntos tratados na revista sempre partem da realidade, do cotidiano, algo concreto. Enfim, uma revista voltada para a reportagem.Editada em um formato maior do que as demais revistas mensais, no formato da "New York Review of Books", justamente para acomodar os longos artigos, narrativas e reportagens. Os assuntos tratados por Piauí são atuais e instigam os leitores à reflexão. Uma revista para ser lida durante o mês, sem pressa, fruindo cada página. Não pense que essa é uma revista para chatos. Ao contrário, "Piauí" tem humor e sofisticação. Quadrinhos, contos, trechos de romances e poemas dividem as páginas com o jornalismo. E ainda quebra algumas regras: não tem editorial ou colunistas. Em resumo, este é o projeto do cineasta João Moreira Salles. ´O que não falta na imprensa brasileira são opiniões. Há colunistas de turfe a macroeconomia, passando por numismática e psicologia, sem falar dos editoriais. Nada contra. Só não queremos ser uma opinião a mais´, afirma o jornalista Mario Sergio Conti.Pela ousadia temática e gráfica, "Piauí" lembra revistas como "Realidade" e "Senhor", dois títulos marcantes da década de 60. No entanto, como destacam os idealizadores, Piauí não quer e nem pretende ser uma reedição, assim como destacou João Moreira Salles: ´Sem querer sofismar, a inspiração vem de todas essas revistas e de nenhuma. É claro que tanto a Senhor quanto a Realidade são marcos importantes do jornalismo brasileiro, revistas que trouxeram novidades, que inovaram. A Realidade, por causa de suas matérias longas e suas coberturas ambiciosas; a Senhor, pelo time extraordinário de colaboradores e o grande cuidado com a qualidade do texto. Nesse sentido, tanto uma quanto a outra serve de inspiração.´ No entanto, destaca Moreira Salles, é desnecessário e até mesmo impossível repetir uma fórmula dos anos 60.A "Piauí" quer ser uma revista variada, que une humor a bom jornalismo, que aposta suas fichas em histórias bem contadas, sejam elas quentes ou não. A nossa identidade virá do fato de não sermos alvo fixo, ou seja, de mudarmos bastante de número a número. A ausência de editorias e de seções obrigatórias ajuda nisso,´ observa Moreira Salles. "Piauí" não é uma revista de opinião, nem de cultura, nas palavras do jornalista Mario Sérgio Conti. De acordo com ele, a proposta editorial está focada na história de pessoas, de lugares, de viagens. ´Por relatos entenda-se reportagens, é claro, mas também diários, artigos com lembranças, histórias gráficas, trechos de livros inéditos.´O projeto gráfico foi elaborado a partir do projeto editorial, tendo como base a idéia de uma revista para leitores. ´A edição deve ser agradável de ler: limpa, arejada, boa de segurar, de folhear, de levar para a cama´, diz Conti. Neste primeiro número, o destaque é o texto, com poucas imagens ou desenhos nas páginas. As imagens, mesmo que discretas, são pontuais. A ilustração da capa é assinada pelo desenhista Angeli, Alvim assina uma curiosa história gráfica baseada no filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, e Marcel Gotlib apresenta o quadrinho Hipopótamo. O fotógrafo Orlando Brito assina o ensaio fotográfico Vultos da República, que captam os vultos sombrios dos bastidores do poder em Brasília. Imagens que mostram o desespero da política.Alguns textos são curiosos, como Bom-dia, meu Nome É Sheila, de Vanessa Barbara. A repórter descreve como é o dia-a-dia de pessoas que trabalham com telemarketing. ´O primeiro exercício de um curso de telemarketing é praticar o bom-dia. Há pelo menos quatro tipos de bom-dia: o tradicional, o belicoso, o sorridente e o de quem ganhou na loteria.´ Dá para imaginar? Além do treinamento e decoreba de scripts e roteiros. Danuza Leão faz o perfil do extravagante Guilherme Guimarães, o estilista das noivas. Guigui foi um sucesso na década de 60 e até hoje tem seu público fiel. Hoje vive em um apartamento no centro de São Paulo, cercado por bibelôs, tapetes de zebras e tantas outras coisas. GG não freqüenta restaurantes da moda, odeia futebol, entre outras peculiaridades."Piauí" tem horóscopo, mas como não tem nada em comum com outras publicações, sua previsão é inusitada. ´Peixes: pense bem nos seus livros favoritos, nas músicas que lhe dão vontade de ser um cantor e compositor capazes de suspender a respiração alheia com dois acordes e quatro versos (...)´

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