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Revista "Coyote" apresenta talentos pouco conhecidos

Uma nova revista cultural independente será lançada nesta quarta-feira em São Paulo. É a Coyote, cujo objetivo editorial é apresentar autores atuais ou antigos desconhecidos do grande público. Apesar de centrar a revista na literatura, os editores Ademir Assunção, de São Paulo, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes, de Londrina, pretendem abrir espaço para outras expressões, como a fotografia e os quadrinhos. Na primeira edição, Coyote traz duas boas surpresas ao público brasileiro. Uma delas é a poetisa modernista americana Mina Loy (1882-1966), uma consistente artesã de palavras que tinha ligações com importantes figuras da cultura nos anos 20, como Marcel Duchamp, Man Ray e Alfred Stieglitz. A Coyote traduziu cinco poemas de Mina Loy e acrescentou um texto de apresentação. A outra surpresa é o poeta mexicano Heriberto Yépez, um jovem de 28 anos que vive em Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos. Yépez defende que a noção de literatura caducou por completo. Em seu lugar, ele prefere a noção do Dizer, uma forma de comunicação que inclui a oralidade, as expressões visuais e corporais da linguagem. A revista publica trechos do seu manifesto Por uma Poética Antes do Paleolítico e Depois da Propaganda, um resumo de suas idéias que também deu nome a seu livro de poesia. Coyote traz ainda uma entrevista com o poeta. Outras formas de expressão, além da literatura, encontram seu lugar nas páginas de Coyote. Neste primeiro número, um ensaio fotográfico de Juvenal Pereira e uma história em quadrinhos do cartunista Beto complementam a tendência literária da revista. ?Queremos promover um diálogo da literatura com outras linguagens?, diz o editor Ademir Assunção. Segundo ele, ?a literatura está um pouco isolada?. A periodicidade de Coyote será trimestral e a tiragem do primeiro número foi de mil exemplares. A revista será vendida em livrarias por R$ 10. Financiada por patrocínios obtidos através da lei de incentivo à cultura de Londrina, a publicação quer ter uma história diferente de tantas revistas literárias de vida curta que já surgiram no Brasil. ?Revistas independentes eram feitas na raça?, diz Ademir, que se lembra de títulos importantes mas que vivem ou viveram com dificuldades, como a Bric a Brac, a Medusa, a Inimigo Rumor ou a Babel. As leis de incentivo podem alargar o prazo de vida das revistas independentes, mas sua continuação não fica garantida, já que as leis estipulam um número fixo de edições para aprovar o projeto de periódicos, podendo haver renovações. A própria Coyote tem quatro edições certas, número previsto em sua permissão para captar recursos. ?Mas existe interesse certo do patrocinador para continuar financiando a revista e por isso poderemos renovar o projeto?, afirma Ademir.Lançamento da revista Coyote - Las Artes Bar. Rua Wisard, 179, Vila Madalena, tel: 3814-1414. A partir das 19h30.

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