Revista ataca no showbiz pela legalização da maconha

Uma revista americana que defende a legalização da maconha está aproveitando seu sucesso editorial para se lançar no mundo do showbiz. A High Times, um império de 500 mil leitores, vai lançar discos e promover turnês de músicos simpatizantes da causa. A publicação pró-maconha, lançada há 28 anos pelo ativista e empresário da música Thomas King Forçade, ganhou força nos últimos tempos por meio da Internet econquista cada vez mais o apoio da indústria do rap. A empresatambém está por trás de marchas pela legalização, marcadas parao início de maio em várias cidades americanas.O lançamento da High Times Records vem garantindo bomespaço para a revista na imprensa americana. O primeirolançamento do selo, THC (The Hip Hop Collection) Vol. 1,chega ao mercado na próxima semana, trazendo nomes como RZA, doWu-Tang Clan, Pharcyde, B-Real, do Cypress Hill, e Serial RhymeKillers. Boa parte deles vai participar da turnê de lançamento,que passa por 11 cidades americanas a partir do dia 30.Com a idéia de "produzir música para os amantes damaconha", o selo é comandado por Mike Esterson, um dosorganizadores do High Times Cannabis Cup, um festival com tiposdiferentes da erva, realizado em Amsterdã, na Holanda. O próximolançamento vai ser um disco de dub de Mad Professor.Desde a metade dos anos 90, o império da High Timesexpandiu-se consideravelmente com o lançamento de um web siteque reproduz o universo da revista. Com uma política de nãotrazer informações sobre como os leitores devem comprar amaconha, a publicação driblou os críticos nas últimas décadasgraças à Primeira Emenda da Constituição americana, que garantea liberdade de expressão.Não deixa de ser curioso, já que a revista traz seçõessobre tipos de ervas, plantações, como driblar testes de drogase eventos como o Stony Awards, a premiação para artistassimpatizantes com o consumo. Com a era da Internet, vieramtambém os canais de rádio online e a THCTV, com videoclipes.A empresa continua fiel aos princípios do fundador daHigh Times, que morreu em 1978, quatro anos depois de lançara publicação como uma das maiores histórias de sucesso domercado editorial da década. Forçade diz ter criado a revistapara "trazer uma nova consciência ao mercado". Ele já haviaescrito vários livros (muitos sob pseudônimos) e coordenadooutros projetos editoriais. Também esteve envolvido coma organização da edição original dos festivais de Woodstock eRandall´s Island.Ao longo dos anos, a revista ganhouum público fiel - apesar dos rumores de queseria ligada ao governo e que os leitores estariam sendoespionados pelo FBI. A partir dos anos 90, a linha editorialpassou a abranger mais entretenimento e cultura, "para nãocriar um universo limitado a uma substância que as pessoas põemna boca". A High Times também passou a se envolver cada vezmais com instituições como a National Organization for theReform of Marijuana Laws, que coordena eventos educativos emtodo o país e as já tradicionais marchas pela legalização. O lançamento da gravadora é uma forma de consolidar a marca da revista. De acordo com Esterson, este é apenaso primeiro projeto de uma movimentação que pretende garantir orespeito que a High Times conquistou em quase três décadasde vida. "Queremos trabalhar com músicos e artistas além daspáginas da revista, para poder continuar a cobertura do universoda maconha pelos olhos da contracultura", diz ele.

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