Revista 'Artforum' chega à China

Apesar de ter um conteúdo internacional e colaboradores espalhados por diversos países, há seis anos a Artforum resolveu reforçar o papel de publicação global e criou uma redação em Pequim. Produzido por uma equipe de cinco editores e cerca de 30 colaboradores freelancers da China e de Hong Kong, o conteúdo é publicado apenas no site (www.artforum.com.cn) e trata basicamente de assuntos locais.

NATHALIA LAVIGNE - ESPECIAL PARA O 'ESTADO,

04 de setembro de 2012 | 03h11

"Traduzimos 30% das críticas e reportagens em inglês, o restante é só sobre a China", conta Charles Guarino, idealizador do projeto. Ele brinca que a ideia "não tinha nenhuma chance de dar certo", mas era a única forma de se comunicar com um mercado poderoso e promissor, mas ainda muito voltado para si mesmo: "A Artforum sempre funcionou muito bem apenas em inglês, não estávamos perdendo nenhum mercado por uma barreira da língua. A China é bem diferente. Eles provavelmente não vão aprender inglês tão cedo e não se interessam muito pelo que acontece fora do país", explica o publisher.

Nos últimos anos, a equipe da revista teve alguns problemas políticos durante a cobertura da prisão de Ai Weiwei, persona non grata para as autoridades chinesas - principalmente porque dois ex-editores do site, Philip Tinari e Lee Ambrozy, já trabalharam como tradutores do blog do artista. "Tivemos todos os e-mails da nossa equipe monitorados. O site começou a ficar muito lento e foi derrubado algumas vezes", conta Guarino.

Outro objetivo da publicação é difundir uma ideia pouco comum no país: de que a crítica de arte e o conteúdo editorial devem ser feitos de forma independente da parte comercial - de preferência por pessoas que não tenham interesses específicos. "Por outro lado, eles têm uma vida acadêmica independente do mercado, e é isso que me atrai na China nesse momento."

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