Reunião de talentos nos 100 anos de Drummond

Este ano é marcado pelas homenagens aos cem anos de nascimento de Carlos Drummond de Andrade. Apesar de o célebre poeta ter nascido em 31 de outubro, seu centenário já está sendo celebrado. A partir de segunda, o Teatro Sérgio Cardoso abriga o projeto Drummond, Cem Anos ? Um Poeta e Muitas Vozes, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, pela União Brasileira dos Escritores (UBE) e pela Companhia de Poesia. É uma oportunidade de conhecer mais sobre a vida e legado do poeta.O evento, com entrada gratuita, terá exposição, palestras e leitura de poemas, com importantes nomes ligados à obra de Drummond, entre atores, poetas, escritores e estudiosos. Amanhã, às 19 horas, haverá abertura da exposição de painéis, com reproduções de poemas do escritor mineiro, assinados pelo artista plástico Antonio Peticov. Peticov fotografou o saguão do Teatro Sérgio Cardoso e aplicou os poemas sob as imagens ampliadas. São cinco painéis: A Máquina do Mundo, Tarde de Maio, Campo de Flores, Amara e A Luís Maurício, Infante.Para a noite de segunda, ainda estão programadas palestra com a escritora Lygia Fagundes Telles e o crítico Fábio Lucas, além de leitura de poemas com os atores José Rubens ChaCha e Maria Alice Vergueiro. Lygia Fagundes Telles, amiga pessoal de Drummond, dará um tom mais emotivo à palestra. ?O Fábio Lucas é crítico e vai falar da obra. Eu vou falar de maneira mais afetiva, da importância que Drummond tem na vida das pessoas?, comenta a escritora. Ela lembrará o lado mais caloroso e solidário do poeta. ?É o lado que conheci, vou falar como amiga.?Os escritores Leyla Perrone-Moisés e Affonso Romano de Sant?Anna participam do debate de quarta-feira. Na mesma noite, os atores Sérgio e Duda Mamberti, pai e filho, farão a leitura dos poemas. Na sexta-feira, último dia do projeto, os poetas Donizete Galvão e Alcides Villaça conduzirão a palestra, enquanto os atores Pascoal da Conceição e Helena Ignez ficarão encarregados da leitura dos poemas. Durante toda a semana, a exposição de Antonio Peticov permanece aberta ao público.Para o poeta, ensaísta e tradutor Cláudio Willer, um dos coordenadores do evento, Drummond, Cem Anos ? Um Poeta e Muitas Vozes não se limitará a falar sobre poesia. Vai mostrar poesia. ?Drummond tem um caráter pluralista, é político, satírico, metafísico. Admiro muito ele?, analisa Willer, presidente da UBE. ?Em seus poemas, mesmo aqueles de metafísica, Drummond escrevia como se estivesse falando com o leitor.? Willer espera que, com iniciativas do gênero, novas gerações de poetas e leitores de poesia sejam formadas. ?Se tivermos um auditório cheio, vai me deixar muito feliz. Ver o interesse das pessoas pela poesia aumenta minha fé no futuro da humanidade.? O escritor Carlos Figueiredo, também coordenador do projeto, é outro entusiasta da obra de Carlos Drummond de Andrade. Segundo ele, a idéia de levar poucos painéis com poemas longos, em vez de uma série de pequenas poesias, foi proposital. ?Sou leitor de poesia, achamos que os poemas maiores são mais representativos.? Na escolha dos palestrantes, prevaleceu a proximidade e a intimidade com a obra de Drummond. Figueiredo explica que o projeto Drummond, Cem Anos ? Um Poeta e Muitas Vozes é uma das ações da Companhia de Poesia, que realiza diversas iniciativas para estreitar as ligações entre o público e a poesia. Dentro dessa perspectiva, a homenagem a Carlos Drummond de Andrade era imprescindível. ?O Brasil é carente de informações, de cultura.?

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