Retrospectiva sobre Jacques Rivette no RJ e em SP

É digno de elogio que à retrospectiva de Eric Rohmer no Centro Cultural São Paulo suceda-se agora a de Jacques Rivette no Centro Cultural Banco do Brasil. O evento começa nesta terça-feira, 25, no Rio e desembarca na semana que vem (dia 3) em São Paulo. No imaginário popular, Jean-Luc Godard e François Truffaut foram os chefes de fila da nouvelle vague e as disputas e, finalmente, a ruptura entre eles marcaram a superação histórica do movimento. Mas a verdade é que os mais "nova onda" dos autores franceses foram outros dois. Rohmer, com seus temas da educação sentimental e da sedução amorosa (da libertinagem, mesmo) e Rivette com seu exigente questionamento da narrativa clássica.

LUIZ CARLOS MERTEN, Agência Estado

25 de junho de 2013 | 10h18

Você terá a oportunidade rara de conferir o cinema do antigo redator-chefe de Cahiers du Cinéma, cargo que Rivette ocupou num momento de transição da revista, entre 1963 e 65, quando ela abandonou a famosa capa amarela. Nascido em Rouen, em 1928, ele realizou seu primeiro curta, Le Coup du Berger, em 1956, enquanto Roger Vadim lançava, com E Deus Criou a Mulher, o mito Brigitte Bardot (e a nouvelle vague). O primeiro longa, Paris Nous Appartient (Paris nos Pertence), surgiu três anos mais tarde, e é contemporâneo de Acossado, de Godard (sobre um argumento de Truffaut).

Nove entre dez críticos (onze entre dez?) dirão que Rivette, ainda vivo - tem 85 anos -, foi um teórico mais consistente do que qualquer de seus colegas da nova onda, mas a longa gestação de Paris Nous Appartient e as dificuldades de finalização do filme - diferentes tipos de película, rupturas de tom e elipses que tiveram a ver com as mudanças de atores e, portanto, de personagens - sempre pesaram na avaliação da obra. A ambição de Rivette era desmesurada. Por meio de um grupo de atores às voltas com uma trama fascista mundial, ele quer falar de tudo, da arte e da vida, do amor e da política.

JACQUES RIVETTE - JÁ NÃO SOMOS INOCENTES - CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, Sé, 3113-3651. R$ 4, De 3 a 21/7 - www.bb.com.br/cultura

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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